20 de fevereiro

Greve de 100 mil paralisa Grande SP

À revelia dos pelegos, comissões de fábrica assumem liderança

O estado de São Paulo contabiliza mais de 100 mil operários em greve, somente na capital e na região do ABC. Em Santo André e São Bernardo, 10 mil operários, dos setores de frigoríficos e de artefatos de borracha, interrompem suas atividades. No setor têxtil, cerca de 50 mil trabalhadores cruzam os braços, numa paralisação que começou dia 30 de janeiro.

Desde o ano anterior, os trabalhadores vinham enfrentando a repressão do governo e a pressão dos sindicatos que orbitavam o Ministério do Trabalho — os chamados “pelegos” ou “ministerialistas”. Iniciaram então movimentos para melhorar as condições de trabalho e combater o arrocho salarial. Em janeiro e fevereiro de 1946, foram registradas mais de 60 greves, e até maio do ano seguinte os metalúrgicos paulistas fariam mais cinco paralisações.

Criadas para pressionar os sindicatos governistas a uma ação mais combativa, as comissões de fábrica assumiriam a liderança nesse período de intensa movimentação grevista. Foram elas que fizeram as pautas de reivindicação e mobilizaram os trabalhadores.

Muitas dessas comissões tiveram vida curta — apenas no período da greve —, mas sua prática serviria para legitimar lideranças independentes da influência dos pelegos. Graças à sua atuação, reivindicações específicas dos locais de trabalho também seriam incorporadas às negociações das categorias de trabalhadores.

Dois anos depois, a experiência seria reproduzida de forma ativa e organizada pelos ferroviários da Companhia Mogiana de Estradas de Ferro. À revelia do sindicato, a greve seria deflagrada pelas “comissões de reivindicações” e se estenderia por Campinas, Ribeirão Preto, Franca, Uberaba e Guaxupé, entre outras cidades, enfrentando a repressão do governo e a perseguição dos próprios sindicatos.