10 de março

300 mil vão às ruas contra a carestia

Movimento grevista começa na indústria têxtil, se alastra e paralisa São Paulo

Operários da fábrica de tecidos Matarazzo decretam a greve que será o estopim de um amplo movimento contra a inflação e por melhores salários, desafiando os governos estadual e federal. No dia seguinte, 1.200 operários do Lanifício Santista cruzam os braços.

A partir de então, o movimento grevista se alastraria por todo o estado de São Paulo, na famosa Greve dos 300 Mil.

A Marcha das Panelas Vazias seria realizada uma semana depois. Cerca de 60 mil trabalhadores partiram da praça da Sé em direção à sede do governo do estado, nos Campos Elísios, numa passeata que terminaria em confronto com a polícia e a prisão de centenas de pessoas. Uma semana depois, os tecelões decretariam greve, e a eles se juntariam trabalhadores dos bairros operários da Mooca, Brás, Belém e Ipiranga.

Os operários que participaram da Greve dos 300 Mil inaugurariam um tipo de organização que se tornaria um modelo para o movimento sindical. A mobilização era vertical: começava pelos comitês de fábrica, era validada por assembleias e ganhava as ruas com passeatas, comícios e piquetes.

O movimento persistiria mesmo depois de a Delegacia Regional do Trabalho decretar sua ilegalidade e das ameaças do ministro do Trabalho, Segadas Viana, de enquadrar os grevistas na Lei de Segurança Nacional.

O Tribunal Regional do Trabalho propôs aumento de 32% nos salários, mas os trabalhadores mantiveram a exigência de aumentos de 50% a 60%, enquanto os empresários não estavam dispostos a passar dos 20% de reajuste.

Cerca de um mês após o início do movimento, foi fechado um acordo com base na proposta do TRT, à qual se agregaram três novos itens: libertação dos presos, pagamento dos dias parados e suspensão das demissões.

Apesar do compromisso, as empresas demitiriam milhares de trabalhadores depois do fim da greve.