11 de junho

40 são trocados por embaixador alemão

Durante a Copa do Mundo, ALN e VPR sequestram mais um diplomata no Brasil

Numa ação conjunta da Ação Libertadora Nacional (ALN) e da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), é sequestrado no Rio de Janeiro o embaixador da República Federal da Alemanha, Ehrenfried von Holleben. Um agente de segurança foi morto e dois ficaram feridos durante a captura do diplomata. Quatro dias depois, por exigência dos sequestradores, foram soltos, banidos e enviados para a Argélia 40 presos políticos (incluindo vários participantes do sequestro do embaixador dos EUA, em setembro de 1969). O manifesto das organizações foi divulgado em rádio e TV.

Cerca de metade dos militantes libertados pertenciam à VPR; os demais à ALN, ao PCBR e ao MR-8 – inclusive Vera Sílvia Magalhães, que nem sequer podia caminhar devido às sequelas das torturas. A ação ocorreu durante o período da Copa do Mundo, disputada no México, que atraía a atenção dos brasileiros.

Embora o sequestro passasse a impressão de que a guerrilha urbana seguia forte, a situação das organizações da luta armada era dramática. A VPR, idealizadora do plano, tinha tão poucos militantes que para realizar a ação teve de pedir ajuda à ALN, que colaborou com dinheiro, armas e quadros. A situação da VPR era tão precária que, confirmada a chegada dos companheiros a Argel, não havia carro para conduzir o embaixador ao local onde ele seria libertado. A Kombi reservada para a missão tinha sido rebocada por estacionamento em local proibido. A libertação teve de esperar 24 horas, à espera de um fusca. Ao se despedir dos sequestradores, Von Holleben afirmou: “Pensei que vocês fossem mais organizados”.