7 de dezembro

70 são libertados no último sequestro

Embaixador suíço é mantido refém por 47 dias na mais longa das negociações

Um comando da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) chefiado pessoalmente pelo capitão Carlos Lamarca sequestra no Rio o embaixador da Suíça, Giovanni Enrico Bucher. Na ação, é morto um dos três agentes da Polícia Federal que faziam a segurança do diplomata. Iniciava-se assim o mais longo dos sequestros, o último da série e o primeiro em que o regime recusou-se a atender integralmente as exigências dos grupos revolucionários.

A VPR pedia a libertação de 70 presos políticos, a divulgação de um manifesto, o congelamento de preços em todo o país por 90 dias e a liberação das catracas nos trens do Rio de Janeiro. O governo levou 48 horas para responder e avisou que negociaria apenas a libertação dos presos. Lamarca aceitou. O primeiro nome da lista era o de Eduardo Leite, o Bacuri, comandante do sequestro do embaixador da Alemanha, em junho. Ele havia sido preso no Rio em agosto e levado para São Paulo, onde fora brutalmente torturado. No dia seguinte ao sequestro de Bucher, Bacuri foi assassinado pela equipe do delegado Sérgio Paranhos Fleury. Seu nome foi substituído na lista.

Dois dias depois, o regime informou que não aceitava libertar 13 dos presos políticos listados – quase todos participantes dos sequestros anteriores. Feitas as substituições, o governo disse que 18 pessoas se recusavam a deixar o país. A ação caminhava para ser desmoralizada. A maioria da direção da VPR decidiu executar o embaixador, responsabilizando a ditadura pelo fracasso das conversações. Lamarca usou sua autoridade de comandante para poupar a vida de Bucher e continuou negociando. Houve novas recusas por parte do governo e novas trocas, num processo que durou um mês.

Os 70 presos libertados e banidos chegaram a Santiago do Chile em 14 de janeiro, 47 dias depois da captura de Bucher. O embaixador foi libertado e recusou-se a identificar seus sequestradores quando foi interrogado pela polícia.