23 de julho

A crueldade da chacina da Candelária

Policiais militares matam a tiros jovens e crianças que dormem na porta da igreja

Cerca de 50 meninos e meninas de rua, com idades entre 11 e 19 anos, dormem em frente à Igreja da Candelária, no centro do Rio, quando são atacados por seis policiais que abrem fogo contra o grupo. Oito morrem e muitos ficam feridos. O episódio teve grande impacto e forte repercussão internacional. 

A pressão da opinião pública e de organizações brasileiras e estrangeiras impediu que as investigações fossem bloqueadas, como aconteceu em relação à chacina de Acari. O inquérito apontou que os seis policiais militares planejaram friamente o massacre. Três deles foram condenados, dois absolvidos e um morreu durante as investigações. Os policiais Marcus Vinícius Borges Emmanuel e Marcos Aurélio Dias Alcântara foram condenados a mais de 200 anos de prisão; Nélson Oliveira dos Santos Cunha, a 45. Cumpriram parte da pena em regime fechado. Foram posteriormente beneficiados por indultos ou liberdade condicional.

Foram mortos Paulo Roberto de Oliveira, Anderson de Oliveira Pereira, Marcelo Cândido de Jesus, Valdevino Miguel de Almeida, Leandro Santos da Conceição, Paulo José da Silva e Marcos Antônio Alves da Silva.

O depoimento do sobrevivente Wagner dos Santos foi crucial para a elucidação do crime. Ele sofreria um segundo atentado em 1994 e foi colocado no Programa de Proteção a Vítimas e Testemunhas Ameaçadas. Seguiu para a Suíça, onde ainda vive e enfrenta graves problemas de saúde decorrentes dos quatro tiros que recebeu.