6 de agosto

Surge, da Esquerda Democrática, o PSB

Antigetulista e crítico ao PCB, partido adota o lema “Socialismo e Liberdade”

A 2ª Convenção Nacional da Esquerda Democrática, reunida no Rio, decide fundar o Partido Socialista Brasileiro (PSB). O ato conclui o processo de formação partidária que se iniciara dois anos antes com a criação da frente “Esquerda Democrática” (ED), que, por seu caráter de oposição ao governo de Getúlio Vargas, vinculara-se inicialmente à União Democrática Nacional (UDN) e apoiara a candidatura do brigadeiro Eduardo Gomes à Presidência.

Na origem, a ED enfrentaria a contradição de abrigar em suas fileiras políticos e intelectuais de esquerda, como Dante Costa e Rubem Braga, políticos com tendências oligárquicas, como Juracy Magalhães, liberais moderados, como Guilherme Figueiredo e Chagas Freitas, e tenentistas, como Felipe Moreira e Arnon de Melo. O Manifesto da Esquerda Democrática, que representava um termo de compromisso entre todas essas correntes, todavia, estava marcado por uma forte pregação antigetulista e por críticas ao liberalismo econômico.

No seu 1º Congresso, ocorrido em 1946, a ED havia aprovado um programa claramente socialista, que pregava a progressiva socialização dos meios de produção no campo econômico, a eliminação do regime de exploração do homem pelo homem e a abolição do antagonismo de classe. Ao mesmo tempo, porém, o documento fazia pesadas críticas ao Partido Comunista e, para marcar essas diferenças, adotou o lema “Socialismo e Liberdade”.

Na 2ª Convenção, a ED passaria a se chamar Partido Socialista Brasileiro e elegeria o deputado federal João Mangabeira como presidente. Adeririam ao novo partido intelectuais, estudantes e políticos como Herculino Cascardo, José Lins do Rego, Sérgio Buarque de Holanda e Max da Costa Santos.