Agosto

'Literatura Marginal' é a voz da periferia

Autores como Ferréz, Celso Athayde e MV Bill conquistam espaço

É lançado o livro "Literatura Marginal: Talentos da Escrita Periférica", com textos de dez diferentes autores, organizados por Ferréz, um dos autores.

A coletânea se tornaria referência na literatura brasileira do início do século 21, marcada pelo protagonismo de autores da periferia.

O conceito de ”literatura marginal”, cunhado por Ferréz no texto "Terrorismo literário", que integra a obra, aplica-se à produção das minorias raciais ou socioeconômicas, que vivem à margem dos núcleos tradicionais do saber, da cultura e do poder econômico.

A linguagem marginal se relaciona, portanto, com a cultura da periferia e com a valorização de seu vocabulário e de sua própria dicção. Nesse movimento, a periferia tomaria para si o poder de narrar e produzir discursos. Não se trata, porém, de um “retrato da periferia”, mas da periferia tirando as suas próprias fotos.

Algumas das principais obras do movimento são "Capão Pecado" (2000) e "Manual Prático do Ódio" (2003), de Ferréz.

Outro tipo de obra importante no período são os livros escritos em colaboração entre intelectuais e lideranças comunitárias. Marcados por análises delicadas da diversidade da periferia, com retratos contundentes, obras como "Cabeça de Porco" (2005), e "Falcão: Meninos do Tráfico", de MV Bill e Celso Athayde (2006) inauguraram o estilo.

"Cabeça de Porco" traz discursos diversificados acerca da periferia, sob a óptica do líder comunitário Celso Athayde, presidente da Central Única de Favelas (Cufa), do rapper MV Bill e do sociólogo Luiz Eduardo Soares, ex-secretário nacional de Segurança Pública (2003).

Do mesmo estilo é o livro "Elite da Tropa", de Luiz Eduardo Soares em parceria com os ex-policiais André Batista e Rodrigo Pimentel. A adaptação da obra para o cinema em 2007, feita por José Padilha com o nome “Tropa de Elite”, seria recordista de bilheteria e conquistaria vários prêmios internacionais.