Agosto

'Literatura Marginal' é a voz da periferia

Autores como Ferréz, Celso Athayde e MV Bill conquistam espaço

Em agosto de 2005, é lançado o livro "Literatura Marginal: talentos da escrita periférica", com textos de dez diferentes autores. A coletânea se tornaria referência na literatura brasileira do início do século 21, marcada pelo protagonismo de autores da periferia. 

O conceito de Literatura Marginal, cunhado por Ferréz em seu "Terrorismo Literário", se aplica à literatura produzida por minorias raciais ou socioeconômicas, à margem dos núcleos tradicionais do saber, da cultura e do poder econômico. A linguagem marginal se relaciona com a cultura da periferia  e com a valorização de seu vocabulário e da sua própria dicção. Nesse movimento, a periferia toma para si o poder de narrar e produzir discursos. Não se trata de um “retrato da periferia”, mas da periferia tirando as suas próprias fotos. Algumas das principais obras do movimento são "Capão Pecado" (2000) e "Manual Prático do Ódio" (2003), de Ferréz. 

Outro tipo de obra importante, no período, são os livros escritos em colaboração entre intelectuais e lideranças da periferia. Marcados por análises delicadas da diversidade das comunidades e por retratos contundentes da periferia, inauguram o estilo literário os livros "Cabeça de Porco" e "Falcão: Meninos do Tráfico". 

"Cabeça de Porco" traz discursos diversificados sobre a periferia a partir dos olhares de um líder comunitário (Celso Athayde, presidente da Central Única de Favelas - Cufa), um rapper (MV Bill) e um sociólogo e ex-secretário de segurança pública (Luiz Eduardo Soares). No mesmo estilo se colocam as obras "Falcão - Meninos do tráfico", de MV Bill e Celso Athayde, de 2006, e "Elite da Tropa", de Luiz Eduardo Soares e dos ex-policiais André Batista e Rodrigo Pimentel.