25 de julho

Anunciada a revisão do Tratado de Itaipu

Brasil passa a pagar mais pelo excedente de energia do Paraguai

Brasil e Paraguai anunciam a revisão do Tratado de Itaipu, que regulamenta a utilização da energia gerada pela hidrelétrica binacional. De acordo com a revisão, o Brasil passa a pagar três vezes mais pela energia excedente que compra do Paraguai, com novo desembolso anual de cerca de US$ 360 milhões. Além disso, decide-se construir uma linha de transmissão de energia elétrica de 300 quilômetros de extensão ligando Itaipu a Assunção, com custo aproximado de US$ 450 bilhões, financiada pelo Brasil.

O Paraguai consumia apenas 5% da metade da produção que lhe cabia na binacional, e vendia o restante ao Brasil a preço de custo: cada quilowatt saía por cerca de US$ 45. Como o Brasil financiara a construção da hidrelétrica no início da década de 1970, cerca de US$ 42 por quilowatt eram destinados à amortização da dívida. Pouco mais de US$ 2 por quilowatt eram repassados ao estado paraguaio.

A renegociação dos termos do tratado havia sido uma das bandeiras de campanha de Fernando Lugo, que se tornara presidente do Paraguai em 2008. No Brasil, a decisão é considerada polêmica. A oposição critica o aumento dos repasses financeiros ao país vizinho, mas o governo defende a mudança porque ela permitirá o crescimento da economia paraguaia e impulsionará o crescimento regional e as parcerias com nosso vizinho. 

A revisão do Tratado de Itaipu é parte integrante da nova política internacional brasileira, com foco no fortalecimento regional e no paradigma da boa vizinhança. Outros acordos do período são a nacionalização do gás boliviano, em 2006,  e os tratados comerciais firmados com a Argentina em 2005.

Em maio de 2011, o Senado brasileiro aprovaria a revisão e os novos termos do Tratado de Itaipu entrariam em vigor.