10 de maio

Jânio proíbe rinha de galo, veta o biquíni...

... e limita o turfe. Com agenda moralista, presidente se ocupa com temas banais

O presidente Jânio Quadros assina seu primeiro decreto de moralização dos costumes: agora o funcionamento dos jóquei-clubes está limitado aos sábados, domingos e feriados.  

A moralização dos costumes foi uma bandeira usada à exaustão, durante a campanha eleitoral, para atrair votos da classe média. Depois dessa polêmica medida inicial, viriam outras: a proibição das rinhas de galo; a restrição à participação de menores de 18 anos em programas de rádio e televisão; a proibição do lança-perfume; e a censura ao uso de traje de banho nos concursos de beleza.

Entre as medidas mais excêntricas de Jânio, está a invenção do traje social que seria apelidado pela imprensa de “pijânio”. Em março, pouco tempo depois de assumir o governo, o presidente propôs um uniforme, os “slacks”, para o funcionalismo público: um blusão bege com quatro bolsos e cinto.

Para Jânio, essa roupa de trabalho era mais apropriada ao clima tropical do que o terno, e uma expressão moderna, organizada e eficiente do novo funcionalismo público que se formava.

Como o uso desses uniformes era facultativo, poucas pessoas, além do próprio presidente, aderiram à nova moda.