11 de novembro

Congresso discute raízes africanas

Gilberto Freyre organiza no Recife encontro que traz debates e exposições

O luxuoso teatro de Santa Isabel, frequentado pela elite açucareira pernambucana, é palco do 1º Congresso Afro-Brasileiro realizado no país, organizado pelo sociólogo Gilberto Freyre. Durante seis dias, pesquisadores, artistas, músicos e demais interessados discutirão a base africana da cultura brasileira — principalmente a pernambucana.

A programação do congresso foi bem variada. Tinha apresentação de trabalhos de etnógrafos, sociólogos, pesquisadores sobre folclore e arte popular e até visitas a terreiros de babalorixás do Recife. O salão nobre do teatro abrigou exposição dos pintores Cícero Dias, Luís Jardim, Di Cavalcanti, Noêmia Mourão, Manoel Bandeira, Tomás Santa Rosa e Tarsila do Amaral, entre outros. Francisco Rebolo expôs fotografias de motivos afro-brasileiros.

Também havia uma exposição de objetos de cultos afro-brasileiros e de arte popular, como bonecos de maracatu, esculturas de barro e de madeira, figas, bandeiras e outros trabalhos. No dia 16, seria a vez das músicas afro-brasileiras.

Gilberto Freyre comentaria depois que durante todo o congresso, “uma negra velha, com seu fogareiro, seu vestido de baiana, seu xale encarnado, assou milho e fez tapioca de coco” para os participantes.