Julho

Surge o sindicalismo anticomunista

MSD é controlado pelo Ibad, tem apoio da UDN e faz dura oposição a Jango

Cisão do Conselho Sindical dos Trabalhadores de São Paulo (CSTSP) dá origem ao Movimento Sindical Democrático (MSD), agremiação que se opõe à frente “nacionalista” de trabalhadores (alinhada ao PCB e ao PTB) e assume identidade de ala sindical anticomunista, prometendo defender “um Brasil cristão e democrático”.

Liderado pelo comerciante Antônio Pereira Magaldi, o MSD manteria relações estreitas com organizações anticomunistas internacionais e com a embaixada dos Estados Unidos. Teria o apoio dos governadores udenistas Carvalho Pinto (SP) e Carlos Lacerda (GB) e se vincularia ao Instituto Brasileiro de Ação Democrática (Ibad).

No primeiro manifesto, publicado no dia 30 de abril de 1961, o movimento defendia o sindicalismo “livre e democrático” e uma agenda política similar, em diversos pontos, à do sindicalismo nacionalista: reforma agrária, direito de greve e participação dos trabalhadores nos lucros das empresas.

Sua prática, porém, teria direção francamente oposta: boicotaria greves, radicalizaria o discurso anticomunista e demonstraria forte resistência ao governo do presidente João Goulart, de cuja deposição, em março de 1964, participaria ativamente.

Após o golpe, a organização desapareceria do cenário político, porém vários de seus membros substituiriam diretores sindicais de várias categorias depostos pela ditadura.