21 de julho

Escritor Albert Camus vem ao Brasil

Autor faz conferências na América do Sul e colhe impressões para futuras obras

Chega ao Brasil, para uma série de conferências, o escritor, romancista, ensaísta e filósofo Albert Camus, nascido na Argélia e criado na França, um dos mais importantes intelectuais da França e da Europa. Sua visita inclui Rio de Janeiro, Recife, Salvador, São Paulo e Porto Alegre, de onde seguirá viagem para Uruguai e Chile.

Camus, futuro Prêmio Nobel de Literatura de 1957, não se empolgaria muito com o Brasil, mas afirmaria ter gostado do Recife e das duas conferências que fez — em Recife e no Rio de Janeiro —, em especial das moças que lotaram a plateia.

As conferências sul-americanas de Camus forneceram material para o conto “A Pedra Que Cresce”, publicado em “O Exílio e o Reino”. Suas conferências serviram principalmente como esboço para o livro “O Homem Revoltado”, no qual defende o “pensamento do meio-dia” ou “pensamento mediterrâneo”, um ideal libertário cuja fonte, segundo ele, estaria parte na história e parte numa condição que seria natural do homem — e exporia a fidelidade a um mundo pessoal e consciente de sua fragilidade. “O sol ensinou-me que a história não é tudo”, disse Camus.

Toda a sua obra, das narrativas fragmentárias de “O Avesso e o Direito” até o painel histórico de ”O Primeiro Homem”, coloca em cena o sentido político de seus grandes temas: o equilíbrio entre a natureza e a história, entre hedonismo solar, ética e compromisso público, entre nostalgia de justiça e consciência da gratuidade dos acontecimentos.

Em “O Homem Revoltado”, porém, revolta e arte estão no centro do argumento. É por meio da literatura — e da arte em geral — que a revolta cresce e se sustenta redimindo a precariedade do mundo e conferindo sentido à experiência humana.

Com esse livro, Camus confirmou sua ruptura com Sartre, dividiu a vida intelectual francesa do pós-guerra e apresentou uma espécie de antídoto para os extremismos da história contemporânea.

Sartre, filiado ao Partido Comunista Francês (PCF), não assimilou as críticas do amigo à União Soviética e ao comunismo.