20 a 22 de Abril

Alca enfrenta a oposição do brasil

Na Cúpula das Américas, FHC impõe condições aos EUA para aceitar a proposta

O governo dos Estados Unidos aumenta a pressão sobre os países representados na Cúpula das Américas para criação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca). O acordo previa a supressão das taxas alfandegárias, o que gerava nos países o temor de que seus mercados fossem invadidos por produtos norte-americanos, levando à falência de suas indústrias. Na reunião da Cúpula em Quebec, no Canadá, o presidente Fernando Henrique Cardoso apresentou condições restritivas do Brasil para aceitar a proposta. Entre elas, o fim do protecionismo norte-americano no setor agrícola.

Desde 1994 os Estados Unidos pressionavam os 34 países americanos, com exceção de Cuba, e os blocos Nafta (México, Canadá e EUA) e Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai) para que aceitassem a proposta. Para apressar a criação da Alca, o presidente Bill Clinton havia obtido do Congresso norte-americano o chamado "fast track" — autorização para firmá-lo sem autorização prévia do Parlamento.

A exclusão de Cuba do convite para participar da Alca foi criticada pelo presidente venezuelano, Hugo Chávez. Ele posteriormente firmaria com os cubanos o acordo que daria origem à Aliança Bolivariana das Américas (Alba). O bloco surgia como alternativa à Alca e visava, além da integração comercial, programas de auxílio mútuo entre os países-membros e a criação de uma moeda regional, o sucre. Atualmente fazem parte da Alba 11 países da América Latina e do Caribe: Venezuela, Cuba, Bolívia, Nicarágua, Dominica, Equador, Antígua e Barbuda, São Vicente e Granadinas, Santa Lúcia, São Cristóvão e Nevis e Granada.

No Brasil, nos anos seguintes à Cúpula das Américas, a Alca continuou sendo debatida. Em setembro de 2002, partidos, organizações não governamentais e sindicais organizaram uma campanha para exigir um plebiscito sobre a entrada do Brasil no acordo. Para esses grupos, o impacto da criação do bloco seria enorme e, em razão disso, a decisão caberia ao povo. Várias manifestações também aconteceram pelo país para pressionar o governo brasileiro a não aceitar os termos impostos pelos Estados Unidos.

Com a posse de Luiz Inácio Lula da Silva na Presidência do Brasil, em janeiro de 2003, o chanceler Celso Amorim deu início às articulações com os parceiros do Mercosul e outros vizinhos para resistirem às pressões. Na reunião da Cúpula das Américas de 2003, em Miami, a exigência de que os Estados Unidos abrissem mão do fim das taxas alfandegárias e de suas políticas protecionistas, na prática, sepultou a Alca, que teria sido uma opção danosa para os países latino-americanos.