27 de outubro

Alta do custo de vida mobiliza CEBs

Comunidades de Base mostram sua força e lançam movimento popular

É criado em São Paulo o Movimento do Custo de Vida (mais tarde Movimento Contra a Carestia), que organiza a população mais pobre em torno de questões como inflação, custo do abastecimento e arrocho salarial. O movimento se estruturou em torno das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), uma nova forma de organização popular estimulada por bispos, padres e agentes pastorais da igreja católica. As CEBs cumpriram importante papel na educação política, mobilização e organização popular, na luta pela democracia e pela conquista de direitos dos trabalhadores, nas cidades e no campo.

As primeiras CEBs brasileiras foram criadas no começo dos anos 1960, nas arquidioceses de Natal e Volta Redonda (RJ), sob inspiração das reformas promovidas pelo Concílio Vaticano 2°. Pequenos grupos comunitários, de 20 a 50 pessoas, reuniam-se para estudar textos religiosos e refletir sobre sua aplicação à realidade local. Esse tipo de organização de base foi muito estimulado pela assembleia episcopal latino-americana de Medellín (1969), que fundamentou a Teologia da Libertação, e pela de Puebla (1979), que declarou a “opção preferencial (da igreja) pelos pobres”.

No início da década de 1980, havia cerca de 80 mil CEBs no interior do Brasil e na periferia das grandes cidades. Formaram politicamente lideranças operárias (Santo Dias), de trabalhadores rurais (Anísio Ferreira da Silva) e indígenas (Ângelo Kretã). Tiveram importante papel na organização de sindicatos rurais, de oposições nos sindicatos urbanos, nos movimentos de luta pela terra, associações de bairro e outras formas de organização popular. As CEBs foram uma das vertentes principais na criação do Partido dos Trabalhadores.