12 de novembro

Contra usina, homem se mata com fogo

Ambientalista incendeia o próprio corpo para impedir construção no Pantanal

Sexta-feira, meio-dia. O ambientalista Francisco Anselmo Gomes de Barros estende dois colchonetes no calçadão da Barão de Rio Branco, em Campo Grande (MS), senta-se sobre eles, derrama dois galões de gasolina e põe fogo. Francelmo, como era conhecido, teve queimaduras m 100% do corpo e morreu no dia seguinte.

O ambientalista protestava contra o projeto do governo do Mato Grosso do Sul que permitiria a construção de usinas de álcool e açúcar ao longo da bacia do rio Paraguai, no Pantanal. O projeto proposto pelo governador do Mato Grosso do Sul, Zeca do PT, tentava reverter uma legislação que o próprio Francelmo ajudara a criar, em 1982. 

Especialistas advertiam que as usinas poderiam poluir o Aquífero Guarani, uma das maiores reservas de água potável do planeta. Além disso, em caso de acidente, a vinhaça (subproduto da destilação do álcool) atingiria a bacia hidrográfica do Pantanal, causando danos irreversíveis ao ecossistema. 

“Já que não temos voto para salvar o Pantanal, vamos dar a vida para salvá-lo”, escreveu Francelmo em uma de suas cartas de despedida. O sacrifício surtiu efeito: a ministra do Meio-Ambiente, Marina Silva, pressionou os deputados estaduais e no dia 30 de novembro, por 17 votos a 4, a Assembleia Legislativa rejeitou e arquivou o projeto.