10 de fevereiro

PSD confirma JK para disputar Presidência

Militares e UDN tentam impedir acordo com PTB e que Jango saia como vice

Após um período de intensa disputa interna e de resistência às pressões dos militares e da UDN — fortalecidas no curto governo de Café Filho —, o PSD homologa a candidatura do governador de Minas Gerais, Juscelino Kubitschek, à Presidência da República, por 123 votos a zero, com 36 abstenções.

Juscelino havia anunciado sua intenção de concorrer ao palácio do Catete menos de 90 dias após a morte do Getúlio Vargas — no dia do enterro, já recebera o apoio de Tancredo Neves e Osvaldo Aranha.

No PSD, ele aparecia como uma alternativa moderna, arrojada, afeita ao diálogo democrático e com trânsito nos setores progressistas da sociedade. Logo galvanizou o apoio da chamada Ala Moça do PSD — jovens políticos que tentavam renovar a legenda, ainda com fama de “partido dos interventores políticos”.

Formada por nomes como Ulisses Guimarães, Renato Archer e Cid Carvalho, entre outros, a Ala Moça aproximou Juscelino dos diretórios estaduais e das bases municipais do partido em boa parte do território nacional.

Para alavancar a candidatura, foi preciso dissolver as articulações dos setores conservadores que propunham o lançamento de um nome de “união nacional” — o que o excluiria da disputa —, esvaziar a ofensiva udenista para suspender as eleições e derrotar a pressão dos militares para que abandonasse suas pretensões eleitorais e o acordo PSD-PTB.

Dois meses depois da oficialização de sua candidatura, Juscelino formalizaria ao presidente do PTB, João Goulart, o convite para que ele integrasse sua chapa como candidato a vice-presidente — o que, nos bastidores, já era dado como certo.

A chapa iria às ruas com o slogan “Juscelino e Jango juntos, pelos ideais de Getúlio Vargas”.