26 de maio

Arraes parte para o exílio na Argélia

Preso no golpe, governador é visado por ligações com sindicatos rurais

O governador de Pernambuco, Miguel Arraes, eleito pelo PST (Partido Social Trabalhista), era um dos políticos mais visados pela direita por sua ligação com os sindicatos de trabalhadores rurais e pelas políticas sociais que adotara em seu Estado. Foi preso em pleno exercício do mandato, em 1º de abril de 1964. Levado ao 4º Regimento de Infantaria do Recife, foi transferido depois para a ilha de Fernando de Noronha, onde permaneceu por 11 meses. Mais tarde, terminou encarcerado na Fortaleza de Santa Cruz, no Rio de Janeiro.

Em abril de 1965, o advogado Heráclito Sobral Pinto obteve um habeas corpus no Supremo Tribunal Federal para Arraes. O ex-governador é libertado em 25 de maio e segue imediatamente para a Argélia, então governada pelo líder nacionalista Ahmed Ben Bella. Ficaria 14 anos no exílio.

Na Argélia e mais tarde na França, Arraes cumpriria importante papel na organização de redes de apoio político e financeiro às organizações de esquerda brasileiras e às comunidades de exilados. Também teria ação de destaque na divulgação no exterior de denúncias das torturas e assassinatos cometidos pela ditadura.