2 de janeiro

Aliança Liberal faz comício gigante

Multidão lota Esplanada do Castelo, no Rio, para ouvir Getúlio Vargas

O jornal "Correio da Manhã" calcula em 100 mil pessoas o número de cariocas que, sem se intimidar com as ameaças do governo federal, acudiram com entusiasmo aos chamados dos aliancistas e lotaram o centro do Rio de Janeiro. 

Segundo o jornal, “a onda humana que ali estacionava era extraordinária. Viam-se representantes de todas as classes sociais comprimindo-se, apertando-se, para ouvir a palavra do presidente gaúcho”. 

Ao contrário do candidato de Washington Luís, que preferia as reuniões em salões fechados, os partidários da Aliança Liberal optaram pelos comícios nas ruas e pelo contato direto com o povo. 

Getúlio leu a íntegra da plataforma da Aliança Liberal, onde se destacam a Anistia, a revogação das leis restritivas à liberdade de pensamento, a mudança da lei eleitoral — “pois o voto, hoje, não passa de uma burla entre nós” —, a necessidade de reorganização da Justiça Federal, a reforma e a liberdade didática e administrativa para o ensino secundário e superior.

Continuando, o candidato afirmou que “se o nosso protecionismo favorece os industriais, em proveito da fortuna privada, corre-nos também o dever de acudir ao proletariado, com medidas que lhe assegurem relativo conforto e estabilidade e o amparem nas doenças como na velhice”.  

O programa era extenso e percorria todos os setores da organização do Estado, como a defesa da produção e do desenvolvimento econômico, a reforma do funcionalismo público, a colonização da Amazônia, medidas contra a seca do Nordeste e muitas outras.

Por último, Vargas alertou para o perigo da fraude eleitoral nas eleições do dia 1º de março, o que, segundo ele, representaria uma ameaça ao próprio regime republicano.