3 de março

'Asa-branca' põe o baião nas paradas

Luiz Gonzaga consagra o gênero como um dos principais da música brasileira

O sanfoneiro Luiz Gonzaga e o letrista Humberto Teixeira lançam “Asa-branca”, terceira parceria da dupla, com o tema da migração nordestina para o Rio e para São Paulo.

“Asa-branca” faria tanto sucesso que consagraria o baião como um dos gêneros mais populares do país. O tema da canção seria constante nas composições da dupla: o exílio rural imposto aos retirantes da seca, a separação do amor, a saudade antecipada dos entes queridos e a esperança do retorno.

Gonzaga e Teixeira, eles próprios retirantes, pensaram a canção no ritmo da fuga. “’Asa-branca’ tem a cadência do povo andando, marchando. E minhas toadas também são cadência do povo retirante”, diria mais tarde o Rei do Baião — como Gonzaga ficaria conhecido.

Gonzaga tomou emprestado o baião e o lundu baiano da música regional nordestina e adaptou o som rural do sertão a uma base sonora própria. Em vez de viola, rabeca, pandeiro e botija de barro, adotou uma combinação dos sons da sanfona, da zabumba e do triângulo, dando alegria e balanço à “música do norte”.

Gonzaga também manteve expressões e temáticas regionais, que estabeleceram grande identidade entre ele e o público retirante, que também se reconheceu na indumentária peculiar usada pelo sanfoneiro durante toda a sua carreira: chapéu de couro cru, gibão de vaqueiro sertanejo, alpercata e sanfona prateada.