3 de março

Assinados Acordos de Washington

EUA usarão bases aéreas no Nordeste e financiarão industrialização do Brasil

O Brasil e os Estados Unidos assinam na capital norte-americana os Acordos de Washington, que vinham sendo negociados desde 1940. Com a entrada daquele país na guerra e o rompimento do Brasil com os países do Eixo, perdem força no governo brasileiro os partidários dos nazistas e fascistas, que atravancavam a busca por entendimento.

Os norte-americanos precisavam usar as bases militares brasileiras no Nordeste. Essa necessidade se tornou mais forte após o ataque dos japoneses a Pearl Harbor, que lhes fechou o caminho do oceano Pacífico. O Nordeste brasileiro ocupa posição estratégica para a travessia do Atlântico, tanto para ir ao norte da África quanto à Europa.

Os Estados Unidos também precisavam da borracha da Amazônia, já que não podiam mais contar com o produto que vinha do Sudeste Asiático, por causa da guerra no Pacífico. Além da borracha, eles precisavam das riquezas do nosso subsolo, como bauxita, berilo, cromita, ferro-níquel, diamantes industriais, minério de manganês, mica, cristais de quartzo, titânio e zircônio, entre outros.

Já o Brasil precisava de financiamento norte-americano para a modernização das Forças Armadas e para os planos de industrialização e desenvolvimento econômico defendidos por Getúlio.

Nos acordos assinados em Washington, a Amazônia foi declarada a principal fonte de matérias-primas essenciais à defesa das Américas, e os Estados Unidos se comprometeram a comprar toda a produção da borracha e de outros insumos nos cinco anos seguintes.

Eles também poderiam utilizar as nossas bases no Nordeste, financiando sua ampliação e modernização. Em contrapartida, enviariam armas e munições para nossas Forças Armadas e liberariam crédito para a encampação da estrada de ferro Vitória-Minas e do minério de ferro de Itabira, então nas mãos dos ingleses.

Em 24 de julho de 1941 um passo importante já havia sido dado: os generais Eurico Gaspar Dutra, ministro da Guerra do Brasil, e Lehman W. Miller, chefe da Missão Militar dos Estados Unidos no Brasil, assinaram acordo de colaboração entre os dois países e criaram a Comissão Mista Brasileiro-Americana de Oficiais de Estado-Maior.

Essa comissão, primeiramente instalada no Rio de Janeiro e presidida pelo chefe do Estado-Maior do Exército brasileiro, general Góis Monteiro, tinha como missão o “arbitramento das necessidades da defesa terrestre, de costa e aérea do Hemisfério Ocidental, relativo particularmente à área vital estratégica do Nordeste do Brasil”. Garantindo a soberania nacional, “as bases aéreas e navais no território do Brasil serão comandadas e mantidas pelas forças brasileiras, e só por solicitação de seu governo poderão ser ocupadas também por forças dos Estados Unidos, como elemento de reforço”.

Brasil e Estados Unidos andavam muito desconfiados uns dos outros. Os brasileiros temiam que os norte-americanos ocupassem as bases militares do Nordeste, e eles, sabendo que Dutra e Góis Monteiro eram simpáticos aos nazistas, receavam que o Brasil pudesse apoiar a Alemanha, no caso de a guerra chegar ao continente. As negociações portanto foram tensas, e a habilidade de Osvaldo Aranha foi fundamental para os entendimentos.

Após a assinatura dos acordos, essas desconfianças se arrefeceram, dando lugar ao entendimento e à busca de colaboração para proteger o continente. Prova disso é que em maio seriam criadas comissões militares nos dois países para desenhar os planos de defesa conjunta para o Nordeste e elevar a capacitação das Forças Armadas brasileiras.