28 de janeiro

Quatro morrem na 'Chacina de Unaí'

Servidores federais, eles trabalhavam na investigação de mão de obra escrava

Quatro servidores do Ministério do Trabalho — Eratóstenes de Almeida Gonsalves, João Batista Soares Lage, Nelson José da Silva (auditores) e Aílton Pereira de Oliveira (motorista) — são assassinados em Unaí, noroeste de Minas Gerais, ao realizarem visita de fiscalização em fazendas suspeitas de explorar trabalho escravo.

Entre 2003 e 2010, mais de 33 mil trabalhadores seriam resgatados de situações análogas à escravidão. O número é mais de cinco vezes superior à quantidade de trabalhadores resgatados no período entre 1995 e 2002, quando o Grupo Especial de Fiscalização Móvel de Combate ao Trabalho Escravo, do Ministério do Trabalho e Emprego, passara a funcionar.

Os planos de erradicação do trabalho escravo e a Comissão Nacional para Erradicação do Trabalho Escravo (Conatrae), criada em 2003, seriam responsáveis por ações de prevenção, fiscalização e acolhimento dos trabalhadores resgatados. Uma das ações principais viria a ser a elaboração da chamada “Lista Suja”, com nomes de patrões condenados pelo uso de mão de obra escrava, restringindo o acesso deles a crédito em bancos oficiais.

Os pistoleiros contratados para a "chacina de Unaí" — como o crime ficaria conhecido — foram condenados em 2013. Em outubro de 2015, foi a vez dos mandantes Antério Mânica, Norberto Mânica, Hugo Alves Pimenta e José Alberto de Castro, condenados pela Justiça Federal de Minas Gerais a penas próximas de 100 anos de reclusão.

Em memória das vítimas, seria aprovada em 2009 a Lei nº 12.064/2009, instituindo a data do crime como o Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo.