30 de janeiro

Baumgarten expõe as vísceras do SNI

Jornalista assassinado deixa dossiê com denúncia de corrupção no órgão

A revista "Veja" publica partes do dossiê deixado pelo jornalista Alexandre von Baumgarten, que havia sido encontrado morto com quatro tiros, na Praia da Macumba (RJ), em outubro de 1982. Baumgarten prestava serviços ao Serviço Nacional de Informações (SNI) em troca de anúncios em sua revista “O Cruzeiro”. No dossiê, ele afirmava que o SNI havia decidido matá-lo. “É certo que a minha extinção física já foi decidida pelo Serviço Nacional de Informações. A minha única dúvida é se essa decisão foi tomada em nível do ministro-chefe do SNI, general Otávio Aguiar de Medeiros, ou se ficou no nível do chefe da Agência Central do SNI, general Newton de Araújo Oliveira e Cruz”, escreveu o jornalista no dossiê que chegou a "Veja" três meses após sua morte.

Em 2 de fevereiro, o “Jornal do Brasil” publicaria carta de Baumgarten, enviada ao general Medeiros, acusando Newton Cruz de não ter cumprido acordos para financiar a publicação de “O Cruzeiro”. A revista, que havia sido o mais importante título brasileiro nos anos 1950, voltara a circular pelas mãos de Baumgarten, entre 1981 e 1982, fazendo propaganda da ditadura e reportagens sobre a “infiltração comunista”  em sindicatos, entidades estudantis e nos partidos de oposição. Pela primeira vez desde sua criação, em 1964, o SNI emitiu uma nota pública, negando as acusações feitas no dossiê, mas a investigação jornalística confirmaria o envolvimento da cúpula do órgão neste e em outros escândalos.

Em 27 de fevereiro, a “Folha de S.Paulo” denunciaria fraude de US$ 10 milhões na Agropecuária Capemi, controlada por um fundo de pecúlio dos  militares. O esquema envolvia pessoas ligadas ao general Newton Cruz. Parte do dinheiro desviado teria sido aplicado na revista de Baumgarten.