1º de fevereiro

Belém-Brasília une país de norte a sul

Rodovia projetada por Bernardo Sayão promove a integração nacional

É inaugurado o primeiro trecho da Belém-Brasília, rodovia que deverá ser fundamental para a integração geográfica do Brasil.

Quando a construção de Brasília começou a se consolidar, no segundo semestre de 1958, o presidente Juscelino Kubitschek chamou o engenheiro agrônomo Bernardo Sayão, do Ministério da Agricultura, e lhe propôs comandar a construção de uma estrada que cortasse o Cerrado, "arrombar a selva e unir o país de norte a sul”, substituindo o longo caminho marítimo que sempre ligara as duas regiões do país. Seria uma nova versão da Marcha para Oeste de 1938 — os mesmos componentes épicos de conquista e integração territorial imaginados no Estado Novo.

À frente de milhares de operários, Sayão venceu o Cerrado e selvas na frente sul da construção, que se iniciou em Brasília, enquanto Waldir Bouhid, médico sanitarista paraense, abriu florestas ao norte com outro batalhão de trabalhadores, vindo de Belém. Os dois se encontrariam no início de 1959, num ponto intermediário do caminho, fechando a ligação de Brasília a Belém.

Concluída, a rodovia seria o braço vertical de uma grande cruz rodoviária que, nos planos de Juscelino, integraria o país pelo interior, interligando os pontos cardeais. A Belém-Brasília cortaria a Floresta Amazônica, ligaria o novo Distrito Federal e os futuros estados de Goiás, Tocantins, Maranhão e Pará, com 2.772 quilômetros de extensão.

No dia 15 de janeiro, apenas 50 quilômetros de mata separavam as duas frentes. Em 15 dias ocorreria o encontro, a ser comemorado com uma missa campal e um churrasco na selva, com a presença de JK, sua família e ministros. Porém, por volta das 14h30min, um enorme galho se desprendeu de uma árvore e atingiu o barraco onde estava Bernardo Sayão, que foi retirado já agonizando dos escombros. O helicóptero de socorro, chamado pelos operários, só chegou horas depois. O engenheiro morreu a bordo, aos 57 anos, sobrevoando a estrada que sonhou construir.

A Belém-Brasília, que receberia o nome de Rodovia Bernardo Sayão, só seria integralmente concluída no governo do general Emílio Garrastazu Médici, tendo atraído posseiros e grileiros, facilitado a exploração predatória de madeira, trazido consequências negativas para as populações indígenas da área. Ainda assim, tornar-se-ia um dos marcos mais importantes da integração do território brasileiro.