17 de julho

Cisão da Alemanha é decidida em Potsdam

Divisão dá início à Guerra Fria, que põe o mundo sob influência de EUA e URSS

Inicia-se a Conferência de Potsdam, que reúne as principais potências vitoriosas na 2ª Guerra Mundial, para decidir como administrar a Alemanha, que se rendeu há nove semanas.

Como resultado da Conferência, realizada em território alemão, a Alemanha foi dividida em duas zonas administrativas  — a oriental, sob influência soviética, e a ocidental, capitalista –, marcando o início da chamada Guerra Fria. Berlim, situada no território do que se tornaria a Alemanha Oriental, também foi dividida.

Essa partilha da Alemanha se estenderia ao mundo, cujos países se posicionariam sob a liderança de uma das  duas superpotências que emergiram no cenário pós-guerra — os Estados Unidos e a União Soviética.

Até 1989, quando a queda do Muro de Berlim marcou o fim do bloco socialista, o mundo viveria num equilíbrio precário entre as duas superpotências, que se manteriam em permanente e aberto confronto ideológico, político e estratégico e alimentariam uma guerra clandestina entre seus serviços de inteligência.

O conflito bélico frontal, porém, seria cuidadosamente evitado — afinal, EUA e URSS tinham arsenal nuclear suficiente para explodir o mundo várias vezes, e seus líderes, o poder de comandar a destruição. A guerra era “fria” exatamente por isso: num embate cara a cara, norte-americanos e soviéticos, com algumas poucas decisões ofensivas, poderiam detonar uma guerra nuclear global.

Assim, os confrontos bélicos se tornariam indiretos, em guerras locais, onde as potências mundiais se retaliariam por meio de terceiros, com riscos calculados. Cada lado envolvido militarmente no conflito receberia apoio dos EUA ou da URSS, e o vitorioso passaria invariavelmente a orbitar a superpotência que o patrocinara.

No tabuleiro da Guerra Fria, a geografia fazia toda a diferença. Os Estados Unidos viam as Américas como sua área de influência. No caso do Brasil, maior país da América Latina, esse interesse estratégico era ainda mais relevante. Os EUA temiam, principalmente, que governos progressistas transformassem o Brasil num “satélite de Moscou” — expressão usada na época pelos círculos conservadores tanto de Washington como do Rio de Janeiro.