19 de agosto

Bombas atingem a sociedade civil

Com ataques à ABI e à OAB, repressão tenta intimidar luta por democracia

Uma bomba destrói dependências da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no centro do Rio de Janeiro. Horas mais tarde, outro explosivo é encontrado na sede da seção carioca da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), mas foi desativado a tempo. Foram os primeiros de uma série de ações paramilitares contra entidades e cidadãos engajados na luta pela democracia, que se estenderiam até o governo seguinte e jamais foram esclarecidas pelas autoridades de segurança.

Organizações semiclandestinas de direita, como o Comando de Caça aos Comunistas (CCC) e Movimento Anticomunista (MAC), agiam no país desde antes do golpe de 1964. Pareciam inativas a partir de 1969, quando a repressão oficial se organizou em torno do DOI-Codi. As bombas de agosto de 1976 foram assumidas por uma desconhecida Aliança Anticomunista Brasileira (AAB), título semelhante ao da Aliança Anticomunista Argentina (Triple A), que em três anos de existência havia executado cerca de 600 pessoas no país vizinho.

O retorno do terrorismo da direita no Brasil havia sido antecipado pelo comandante do 1° Exército (Rio), general Reynaldo Mello de Almeida, em janeiro daquele ano. A previsão constava de um relatório sobre a reação dos militares à exoneração do comandante do 2° Exército, Ednardo D’Ávila Mello, após a morte do operário Manoel Fiel Filho sob tortura no DOI-Codi de São Paulo. Na disputa interna da ditadura, as ações terroristas se encaixavam na resistência ao projeto de “distensão lenta, gradativa e segura” dos generais Ernesto Geisel e Golbery do Couto e Silva.

O envolvimento direto do aparelho de repressão nessas ações seria claramente demonstrado em 1981, quando um agente do DOI-Codi morreu e outro ficou ferido na explosão acidental de uma bomba que seria usada para criar pânico em um show no Riocentro.