Outubro

Ex-devedor, Brasil vira credor do FMI

País empresta US$ 10 bilhões para ajudar emergentes na crise mundial

Em 2009, pela primeira vez na história, o Brasil empresta dinheiro ao Fundo Monetário Internacional (FMI): US$ 10 bilhões para ajudar países emergentes em meio à crise econômica mundial. A medida representa uma guinada na relação do país com o FMI. Durante décadas, o Brasil havia recorrido à ajuda financeira ao Fundo para equilibrar suas contas, submetendo-se à agenda de cortes nos investimentos e ajuste fiscal imposta pelo organismo internacional aos países devedores.

O empréstimo ao FMI é concedido quatro anos após o Brasil saldar sua dívida com a instituição, em 2005. Durante o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, entre 1995 e 2002, o país havia recebido três desembolsos do Fundo, totalizando US$ 67 bilhões. O empréstimo de US$ 10 bilhões do Brasil ao FMI faz parte de uma ação articulada pelo BRIC –  bloco formado por Brasil, Rússia, Índia e China –, em     que cada um dos seus integrantes fez um aporte específico para ajudar os países emergentes a minimizar os impactos econômicos da crise internacional. 

A mudança de paradigma na relação com o FMI se torna possível graças ao cenário de crescimento contínuo da economia brasileira com fluxo de capital positivo e aumento vigoroso de suas reservas internacionais, que eram de US$ 37 bilhões 800 milhões em 2002 e chegariam a US$ 288 bilhões 600 milhões em 2010. Em 2012, o Brasil faria novo empréstimo de US$ 10 bilhões ao FMI, desta vez destinado ao socorro econômico a países da Zona do Euro.  Esta política visa fortalecer a posição do Brasil e fazer crescer a pressão para que os países emergentes ampliem sua cota de representação e tenham mais influência nas decisões do Fundo.