Outubro

Ex-devedor, Brasil vira credor do FMI

País empresta US$ 10 bilhões para ajudar emergentes na crise mundial

Pela primeira vez na história, o Brasil empresta dinheiro ao Fundo Monetário Internacional (FMI): US$ 10 bilhões para ajudar países emergentes em meio à crise econômica mundial. A medida representa uma guinada na relação do país com o FMI.

Durante décadas, o Brasil recorreu à ajuda financeira do fundo para equilibrar suas contas, submetendo-se às exigências de cortes nos investimentos e de ajuste fiscal impostas aos países devedores.

O empréstimo ao FMI foi concedido quatro anos após o Brasil saldar sua dívida com a instituição, em 2005. Durante o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, de 1995 a 2002, o país recebera três desembolsos do fundo, totalizando US$ 67 bilhões.

O empréstimo de US$ 10 bilhões do Brasil ao FMI era parte de uma ação articulada pelo Bric — bloco formado por Brasil, Rússia, Índia e China —, cujos integrantes fizeram aportes específicos para ajudar os países emergentes a atenuar os impactos da crise internacional.

A mudança de paradigma na relação com o FMI se tornou possível graças ao cenário de crescimento contínuo da economia brasileira, com fluxo positivo de capital e aumento vigoroso de suas reservas internacionais, que eram de US$ 37,65 bilhões em 2002 e chegariam a US$ 288,57 bilhões em 2010.

Em 2012, o Brasil voltaria a emprestar US$ 10 bilhões ao FMI, desta vez para socorrer países da Zona do Euro.

Esta política visava fortalecer a posição do Brasil e aumentar a pressão para que os países emergentes ampliassem sua cota de representação e tivessem mais influência nas decisões do órgão.