1º de março

Brasil escolhe novo presidente

Júlio Prestes é eleito numa votação de baixo comparecimento e muita fraude

Com 1.091.709 votos, o candidato governista Júlio Prestes é eleito o novo presidente da República. Seu adversário, Getúlio Vargas, da Aliança Liberal, teve a preferência de apenas 742.794 eleitores. Minervino de Oliveira, candidato do Bloco Operário e Camponês, patrocinado pelo Partido Comunista, obteve 720 votos.

O resultado não surpreendeu a ninguém. Como em todas as eleições desde a Constituição de 1891, o pleito estava longe de ser democrático. Prova disso é que a maioria da população nem tinha cidadania política. Mulheres, mendigos, religiosos em comunidades clausurais, soldados, analfabetos e menores de 21 anos não podiam votar. Só eram considerados eleitores os homens maiores de 21 anos e alfabetizados. 

Os coronéis e poderosos abusavam do poder econômico e político, controlando seus empregados. No interior, imperava o chamado “voto de cabresto”. O voto, embora formalmente secreto, na prática era aberto. A cédula de cada candidato era de uma cor diferente. Ao ser depositada na urna, podia ser facilmente identificada.

As denúncias de fraude eram corriqueiras em todo o país. Os registros de eleitores não eram confiáveis, sendo comuns os casos de mortos que ressuscitavam nas urnas. Depois do pleito, era frequente a falsificação das atas de juntas eleitorais, isso sem falar na violência que ocorria nas redondezas onde havia seções eleitorais, coagindo adversários políticos. 

Só que em 1930 a campanha esquentou. Mesmo assim, nem todos os eleitores compareceram. Dos 2.525.000 eleitores inscritos, somente 1.900.256 depositaram seus votos para presidente.