18 de fevereiro

Economia do país é cada vez mais frágil

Sem dinheiro para pagar FMI, governo desvaloriza a moeda novamente

O cruzeiro (moeda nacional) sofre maxidesvalorização de 30%, a segunda em menos de dois anos. O objetivo é reduzir ainda mais as importações, numa tentativa desesperada de melhorar o balanço de pagamentos  do país. Naquele momento, o governo já sabia que não teria condições de saldar os empréstimos-ponte acertados com o Fundo Monetário Internacional (FMI) em dezembro de 1982, que venceriam em março.  O presidente do Banco Central, Carlos Langoni, estava em Washington negociando uma prorrogação de prazos, o que deixou o país ainda mais vulnerável diante da instituição e dos bancos credores.

A desvalorização era um dos pontos da primeira Carta de Intenções do governo brasileiro, apresentada em janeiro ao Fundo. A medida afetaria profundamente a indústria e o setor de serviços, que acumulavam dívidas de US$ 14 bilhões, quase a metade com vencimento naquele ano.

Como a desaceleração da economia não logrou reduzir a inflação, que estava acima de 100%, em 24 de fevereiro o governo anunciaria o controle de preços de 273 produtos e serviços. De automóveis a sabão, os reajustes teriam de ficar 10% abaixo da ORTN (Obrigação Reajustável do Tesouro Nacional), o principal indexador da economia. Em julho, o governo decidiu expurgar do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) os aumentos provocados pela retirada de subsídios ao trigo e aos combustíveis, o que iria achatar ainda mais os salários, cujos reajustes eram atrelados a esse indexador.