15 de novembro

Capitais voltam a eleger prefeitos

Primeira eleição da era democrática encerra o ciclo de prefeitos nomeados

Reviravoltas marcam as primeiras eleições diretas para prefeitos das capitais após a ditadura. O PMDB era o partido favorito, mas perdeu sua principal aposta: em São Paulo, o senador Fernando Henrique Cardoso foi derrotado pelo ex-presidente Jânio Quadros (PTB), em um resultado acirrado. Em Belo Horizonte, o peemedebista Sérgio Ferrara venceu Maurício Campos (PFL), resultado improvável até poucas semanas antes das eleições.

No Rio de Janeiro, houve recorde de candidaturas e Roberto Saturnino Braga (PDT) saiu vitorioso contra Rubem Medida (PFL). Em Cuiabá, Dante de Oliveira, que havia proposto a emenda das Diretas em 1984, disputou pelo PMDB e venceu Gabriel Neves (PDS) na votação. Em São Paulo, o PT se negou a fazer coligação com o PMDB e lançou Eduardo Suplicy como candidato, o que valeu ao partido a acusação de dividir o voto da esquerda.

Nos meses que antecederam a eleição, as campanhas foram conturbadas e alimentaram grandes expectativas. Partidos menores puderam disputar a corrida eleitoral, num total de 30 legendas, incluindo as dos partidos comunistas. Foi um momento histórico, após 20 anos de eleições indiretas, marcado ainda pela extensão do voto aos analfabetos.

Com partidos empenhados e eleitores atentos aos programas políticos dos candidatos, o saldo da votação foi o fortalecimento democrático, com 201 prefeitos eleitos por voto direto.