24 de janeiro

Capitão Carlos Lamarca adere à guerrilha

Oficial exemplar cai na clandestinidade e rompe cerco militar no Vale do Ribeira

Já integrado à Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), o capitão Carlos Lamarca abandona o quartel em Quitaúna, São Paulo, levando armamento e munições. Lamarca era um brilhante oficial de carreira, condecorado por sua passagem no Batalhão Suez, representação brasileira nas Forças de Paz da ONU no Oriente Médio. Declarado desertor, passou meses vivendo clandestinamente em esconderijos em São Paulo e no Rio. 

Foi um dos dirigentes da fusão entre VPR e a antiga Colina (Comandos de Libertação Nacional), que deu origem à Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares), de curta duração. Ansioso por entrar em combate na guerrilha, rompeu com a VAR-Palmares e recriou a VPR.  Levou 16 militantes para o treinamento de guerrilha no Vale do Ribeira, região pobre e isolada ao sul de São Paulo. Lá permaneceu até maio de 1970, quando toda a área foi cercada por tropas com milhares de homens do Exército e Polícia Militar.

Após a retirada da maior parte do grupo, Lamarca conseguiu romper o cerco e escapar com outros três companheiros. Na saída, mataram um tenente que havia sido feito prisioneiro. Depois, renderam um caminhão do Exército que levava soldados, tomaram suas fardas e armas, furaram as barreiras policiais e libertaram os militares na periferia da capital paulista. O feito desmoralizou o comando da repressão e do Exército no Estado. Lamarca tornou-se então o "subversivo" mais procurado do país.

Isolado, doente e faminto, seria assassinado por um coronel do Exército em 1971, no sertão da Bahia.