4 de abril

Carestia provoca atos de rebelião

Protesto em São Paulo se transforma em onda de saques e se estende ao Rio

Manifestação convocada pelo Movimento Contra o Desemprego e a Carestia reúne 2.500 pessoas em Santo Amaro (zona sul de São Paulo) e se transforma em tumulto, com saques a lojas e supermercados. Mais de 100 pessoas ficam feridas em confrontos com a PM e 70 são presas. No dia seguinte, nova manifestação parte do mesmo local em direção ao Palácio dos Bandeirantes, sede do governo estadual. Grades do Palácio são derrubadas e o confronto só termina quando o governador Franco Montoro recebe uma comissão de representantes.

A onda de saques, que também atingiu o Rio, ocorreu duas semanas após a posse dos governadores de oposição. Reunidos em São Paulo, Franco Montoro, Tancredo Neves (MG) e Leonel Brizola (RJ) assinaram “um apelo à população para que se mantenha em calma, evitando manifestações violentas que só servem aos inimigos da democracia”. Montoro anunciou um plano para contratar 40 mil desempregados em frentes de trabalho. No dia 9, o general presidente João Baptista Figueiredo falaria em rede de TV que a violência nas ruas “briga com o processo de abertura”.

Apenas nos dois primeiros meses do ano, a indústria paulista havia demitido 47 mil trabalhadores. O corte de investimentos em obras públicas estendeu a crise ao setor de construção – a Norberto Odebrecht demitiu 4 mil empregados. Aos efeitos da recessão somava-se o avanço do custo de vida. A inflação oficial dos alimentos havia atingido 35% no primeiro semestre do ano e marcou 15% apenas no mês de março. O macarrão subiu 40% e a batata, 400%.