27 de agosto

Carta-bomba explode e mata na sede da OAB

Secretária da entidade é vítima do terror de direita, que segue impune no país

Uma carta-bomba explode ao ser aberta na sede da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) no Rio. A explosão mata a secretária da presidência da entidade, Lyda Monteiro da Silva. No mesmo dia, também no Rio, explode outra carta-bomba no gabinete do vereador do PMDB Antônio Carlos de Carvalho, ferindo gravemente José Ribamar de Freitas, funcionário do escritório. Mais quatro pessoas sofrem ferimentos leves. Uma terceira bomba é detonada na redação da "Tribuna da Luta Operária", jornal do PCdoB. 

Lyda Monteiro foi a primeira vítima da série de atentados terroristas contra entidades democráticas, jornais, livrarias e bancas de jornais iniciada em 1979. Dez mil pessoas acompanharam o enterro da secretária da OAB. O general presidente João Baptista Figueiredo decretou luto oficial e disse que iria “levar o país à democracia (...), a despeito de quatro, vinte ou mil bombas que atirem sobre nossa cabeça”.

Sete semanas depois da explosão, a Polícia Federal prendeu Ronald James Watters como suspeito de ter deixado a carta-bomba na sede da OAB. Waters, então com 51 anos de idade, era um cidadão dos Estados Unidos conhecido na comunidade de informações por suas ligações com grupos de extrema direita no Brasil. Ele sempre negou sua participação no atentado. Foi julgado e absolvido três anos depois por falta de provas. Tudo indica que o norte-americano foi tomado como bode expiatório apenas para dar uma satisfação à opinião pública. Na prática, nada foi feito para identificar e punir os verdadeiros autores do atentado na OAB e de outras ações criminosas contra entidades democráticas.

O presidente do PMDB, Ulysses Guimarães, apontou o general presidente Figueiredo como “o maior responsável pelos atentados”, por deixar seus autores impunes. “Se fosse obra da esquerda, teriam mobilizado todo o aparelho repressivo”, disse o presidente do PT, Luiz Inácio da Silva, o Lula. A impunidade e os atentados continuariam ocorrendo e chegariam ao auge em abril do ano seguinte, quando militares planejaram a explosão de bombas num show de 1° de Maio, que reuniria 20 mil pessoas, no Riocentro. Uma das bombas explodiu antes da hora, matando um sargento e ferindo gravemente um capitão, ambos lotados no DOI-Codi do Rio.