Janeiro

Caso Cacciola desgasta o governo

Banco Central tenta evitar a quebra do Banco Marka com socorro fraudulento

A desvalorização do real promovida pelo governo federal e a liberação do câmbio impactam fortemente as instituições financeiras que apostaram na estabilidade e continuaram assumindo compromissos em dólar. Algumas delas sofreram prejuízos espetaculares e precisavam de socorro do Banco Central, como o Banco Marka. O episódio que envolveu esta instituição financeira causaria um prejuízo de R$ 1,5 bilhão para os cofres públicos e a condenação na Justiça da alta cúpula do Banco Central do Brasil da época.

No momento da mudança da política cambial, o Marka, cujo dono era Salvatore Cacciola, tinha 20 vezes o valor do seu patrimônio comprometido em contratos de venda no mercado futuro de dólar. Com a rápida elevação do preço da moeda americana, o banco ficou sem condições de arcar com os seus compromissos e foi à falência. Preocupado com a possibilidade de que isso pudesse produzir um efeito cascata no sistema financeiro, o Banco Central socorreu o Marka, cobrindo os prejuízos. Quando detalhes da operação vieram à tona dois meses depois, o mundo veio abaixo.

Investigações mostraram que, a pedido de Caciolla, o BC havia vendido dólares ao seu banco por preços muito inferiores às cotações do mercado. Na tentativa de legalizar a operação, a chefe do Departamento de Fiscalização do BC, Tereza Grossi, chegou a pedir à Bolsa de Valores de São Paulo que emitisse carta justificando o socorro. O pedido foi aceito pela Bovespa. O Banco Central foi duramente questionado por sua atuação no episódio. Seu presidente, Francisco Lopes, foi afastado.

A crise do Banco Marka levou ao fechamento da instituição financeira e à condenação de Salvatore Cacciola a 13 anos de prisão. Caciolla fugiu do país, indo viver na Itália. Capturado mais tarde em Mônaco, foi enviado ao Brasil, permanecendo preso durante 3 anos e 11 meses. Francisco Lopes e Tereza Grossi, condenados em primeira instância, recorreram da decisão.