Novembro

Caso Sivam derruba ministro de FHC

Grampo revela tráfico de influência em favor de empresa norte-americana

A revista “IstoÉ” publica reportagem que aponta graves irregularidades na compra de equipamentos para o Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam), revelando um dos maiores escândalos de corrupção no governo Fernando Henrique Cardoso. Dois integrantes do primeiro escalão do governo são acusados de favorecer a empresa norte-americana Raytheon, que venceu concorrência no valor de US$ 1,4 bilhão.

A “IstoÉ” mostrou a transcrição de conversas grampeadas entre o chefe do cerimonial da Presidência da República, embaixador Júlio César Gomes, e José Afonso Assumpção, dono da Líder Táxi Aéreo e representante da Raytheon no Brasil. Os grampos, feitos pela Polícia Federal, revelaram uma rede de tráfico de influência em favor da empresa norte-americana, que envolveu também o ministro da Aeronáutica, brigadeiro Mauro Gandra. Ele e o embaixador acabariam sendo forçados a deixar os seus cargos.

Segundo revelou mais tarde o jornalista investigativo escocês Duncan Campbell, a agência nacional de segurança americana (NSA) também gravou conversas entre funcionários do governo brasileiro e da empresa francesa Thomson-CSF, concorrente da Raytheon na licitação. As informações obtidas nessas gravações teriam permitido que a empresa norte-americana fizesse uma proposta melhor que a rival para o fornecimento de equipamentos ao Sivam.

Pouco antes da revelação do favorecimento à Raytheon, descobriu-se que outra empresa envolvida no projeto, a Esca, encarregada de gerir a rede de softwares do projeto, estava fraudando guias de recolhimento à Previdência Social. A companhia foi afastada e substituída pela Atech - Fundação Aplicações de Tecnologias Críticas, formada por ex-funcionárias da Esca.

Uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), requerida pelo PT em 1996 para investigar o assunto, seria instalada somente em 2001, produzindo um relatório precário que não apontou culpados. O Sivam começou a ser implantado no governo Collor, prosseguiu no governo Itamar e só foi inaugurado em 2002 por Fernando Henrique, depois de muita polêmica.