17 a 19 de agosto

CGT é criado para unificar sindicatos

Entidade nasce comprometida com o presidencialismo, mas exige reformas

Com forte influência do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) e do Partido Comunista Brasileiro (PCB), é criado, no 4º Congresso Nacional dos Trabalhadores, o Comando Geral dos Trabalhadores (CGT), central sindical de orientação progressista e nacionalista e comprometida com a bandeira do retorno ao presidencialismo. Em contrapartida, exige do presidente João Goulart o fim da Lei de Segurança Nacional, extensão do voto a todos os adultos (inclusive analfabetos e soldados), aumento de 100% no salário mínimo e reformas agrária e bancária.

O CGT unificaria a ação de diversas entidades de articulação sindical criadas ao longo da década de 1960. Já no mês seguinte ao de sua criação, decretaria uma greve geral, reivindicando a realização de um plebiscito para decidir a volta do país ao presidencialismo.

Vitorioso no plebiscito, João Goulart assumiria o governo presidencialista, gerando grande expectativa no comando. As frustrações, porém, não tardariam: o caráter moderado do Plano Trienal inauguraria uma série de conflitos entre a central sindical e o governo. O programa econômico de San Tiago Dantas e do economista Celso Furtado partiria de um forte ajuste fiscal para debelar a crise econômica, e só depois dar início às Reformas de Base.

Na tentativa de empurrar o governo para a esquerda, o CGT radicalizaria as mobilizações, mas não conseguiria sanar o principal problema para a realização das reformas: a resistência de uma parcela significativa do PSD no Congresso.

Nas vésperas do golpe de 1964, o CGT apoiaria a greve dos sargentos e integraria a Frente de Mobilização Popular (FMP), liderada por Leonel Brizola, reaproximando-se de Jango. O golpe, todavia, já estava a caminho. E a central sindical seria uma das primeiras vítimas dos militares, que o extinguiriam.