22 de setembro

Milícia mata 15 na maior chacina do PR

Crime ocorreu em Guaíra; Brasil tem mais assassinatos no mundo, diz estudo

Quinze morrem e 8 ficam feridas em Guaíra, Paraná, na maior chacina já ocorrida no estado. Essa chacina se soma a várias outras que vêm ocorrendo desde 2003, sempre com a participação de grupos de extermínio formados por policiais e ex-policiais.

O avanço nas políticas de inclusão social observado a partir de 2003 não significou o fim dos problemas de segurança pública. Os anos 2000 foram marcados pela frequência de chacinas, cujas principais vítimas têm o mesmo perfil dos massacrados no Brasil do século anterior: jovens negros da periferia das grandes cidades e trabalhadores rurais mortos em conflitos fundiários.

Em março de 2005, 29 pessoas foram mortas numa única noite nos municípios de Nova Iguaçu e Queimados, na Baixada Fluminense, por grupos de extermínio, na maior chacina da história do Rio de Janeiro. Onze policiais militares seriam denunciados pelo Ministério Público pela participação nos crimes, que teriam sido motivados pela insatisfação dos soldados com a linha-dura adotada nos batalhões após uma mudança de comando.

Em maio de 2006 foi a vez de São Paulo viver um massacre que também entrou para a história da cidade. Mais de 400 pessoas podem ter sido assassinadas em represália à morte de 43 funcionários das forças de segurança do estado durante os ataques do Primeiro Comando da Capital (PCC). A maioria das centenas de mortos era de negros pobres, moradores da periferia.

E o massacre do Paraná não seria o último. As violações de direitos humanos e os assassinatos violentos no presídio de Pedrinhas, no Maranhão, em 2010, ganhariam os noticiários e seriam alvo de mobilização de entidades internacionais.

O relatório de balanço dos conflitos no campo entre 2000 e 2010, elaborado pela Comissão Pastoral da Terra, denunciaria o homicídio de 378 pessoas na década, em chacinas decorrentes da luta pela terra (e pela água) e de questões trabalhistas. Entre os principais massacres rurais se destaca o assassinato, em 2010, de 13 trabalhadores no assentamento Rio Cururuí, em Pacajá (PA).

O Estudo Global de Homicídios de 2011, feito pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) em 207 países, apontaria o Brasil como o recordista de assassinatos por ano, em números absolutos.