22 de setembro

Chacinas vitimam jovens na periferia

Estudo aponta Brasil como o país com maior número de assassinatos

O avanço nas políticas de inclusão social observado a partir de 2003 não significou o fim dos problemas de segurança pública. Os anos 2000 estiveram marcados pela continuação de chacinas, cujas principais vítimas têm o mesmo perfil dos massacrados no Brasil do século anterior: jovens negros das periferias das grandes cidades e trabalhadores rurais mortos em conflitos fundiários. Estudo Global sobre Homicídios, da UNODC, aponta que o Brasil é o país com o maior número absoluto anual de assassinatos, entre as 207 nações pesquisadas.

No dia 22 de setembro de 2008 ocorre a maior chacina do Paraná: 15 pessoas são assassinadas e 8 ficam feridas na periferia de Guaíra. Seriam várias as chacinas urbanas entre 2003 e 2010, com recorrente participação de grupos de extermínio formados por policiais e ex-policiais. 

Em março de 2005, 29 pessoas são mortas em uma única noite nos municípios de Nova Iguaçu e Queimados, na Baixada Fluminense, por grupos de extermínio, na maior chacina da história do Rio de Janeiro. Onze policiais militares seriam denunciados pelo Ministério Público pela participação nos crimes. A motivação para os atos teria sido a insatisfação dos policiais com a linha-dura adotada nos batalhões após a mudança de comando na Polícia Militar.

Em maio de 2006 é a vez de São Paulo viver um massacre que também entrou para a história da cidade. Mais de 400 pessoas são assassinadas em represália aos ataques do Primeiro Comando da Capital (PCC) que atingem as forças de segurança do estado e tiram a vida de 43 funcionários, entre policiais militares, civis e guardas penitenciários. Entre as centenas de mortos por vingança, a maioria é de negros pobres, moradores da periferia de São Paulo.

Os assassinatos em massa em presídios também voltariam a ocorrer: as violações de direitos humanos e os assassinatos violentos no presídio de Pedrinhas, no Maranhão, ganhariam os noticiários e seriam alvo de mobilização de entidades internacionais a partir de 2009.  

O relatório de balanço dos conflitos no campo entre 2000 e 2010, elaborado pela Comissão Pastoral da Terra, apontaria o homicídio de 378 pessoas na década, em chacinas decorrentes da luta pela terra (e pela água) e de questões trabalhistas. Entre os principais massacres rurais se destaca o assassinato de 13 trabalhadores no assentamento do Rio Cururuí, em Pacajá (PA), em 2010.