6 de maio

Fidel chega ao Brasil em visita oficial

Líder cubano discursa, cumpre extensa agenda política e justifica o “paredón”

O primeiro-ministro de Cuba, Fidel Castro, chega ao Brasil para uma visita oficial de um dia. Segundo o presidente Juscelino Kubitschek, a visita de Castro é parte do esforço de unir os países do continente para articular a Operação Pan-Americana (OPA), destinada a promover o desenvolvimento dos países da região.

Líder do Movimento 26 de Julho, que depôs o ditador Fulgencio Batista em janeiro, Fidel tinha uma dívida de gratidão com o governo brasileiro, que reconhecera oficialmente o novo governo cubano poucos dias depois da vitória da revolução.

Durante sua estada no Brasil, Fidel cumpriu uma extensa agenda oficial e foi recebido com entusiasmo, sempre cercado por políticos, estudantes e empresários durante sua breve estadia.

Encontrou-se com o ministro da Guerra, Henrique Teixeira Lott, compareceu a almoço oferecido por Juscelino e discursou por três horas na Esplanada do Castelo a uma multidão que empunhava bandeiras de Cuba.

No discurso, referiu-se ao Brasil como “irmão maior”, exaltou a Operação Pan-Americana, opinou sobre reforma agrária e justiça revolucionária e criticou a ausência de investimentos norte-americanos na América Latina. Compareceu também à sede da União Nacional dos Estudantes (UNE), onde debateu com cerca de 300 jovens.

À noite, o líder cubano foi o convidado de um jantar com políticos e empresários brasileiros. No evento, foi apresentado ao prefeito de São Paulo, Ademar de Barros, que manifestou seu desagrado com o uso do “paredón” — fuzilamento dos principais dirigentes do antigo regime pelos revolucionários — depois da revolução.

Sem saber da fama do prefeito (“rouba mas faz”), Fidel deixou-o furioso com a resposta: “Estamos fuzilando só os grandes ladrões de dinheiro público!”. Ademar foi embora sob gargalhadas, dizendo que Fidel era um “Jânio Quadros sanguinário”.