16 de dezembro

MAC e CCC: a direita põe a cara pra fora

Com ações terroristas, organizações se especializam em intimidar a esquerda

É criado no Rio o primeiro grupo paramilitar de direita do Brasil, o Movimento Anticomunista (MAC), em resposta à decisão do governo de João Goulart de reatar relações diplomáticas com a União Soviética.

No mês seguinte, o grupo deixaria suas marcas em vários prédios do Rio, com pichações como “Morte aos traidores Prestes e Julião”, “Fuzilemos, brasileiros, os lacaios de Moscou”, “Fogo nos comunistas” e “Guerra de morte ao PCB”.

Das palavras de ordem, o MAC logo passaria às ações violentas; a sede da União Nacional dos Estudantes (UNE) seria metralhada; uma bomba destruiria a gráfica do jornal governista “Última Hora”. Uma investigação foi prometida pela polícia do Rio para identificar os responsáveis pelas ações terroristas, mas jamais alguém foi apontado como autor dos crimes.

Se, até 1964, as ações do MAC seriam limitadas, depois do golpe militar elas se tornariam intimidatórias contra grupos estudantis, artísticos e políticos de resistência à ditadura, em sintonia com o aparelho repressivo do Estado e muitas vezes integrando-o.

À organização se aliaria o Comando de Caça aos Comunistas (CCC), que, surgido na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco (São Paulo), no início de 1964, atuaria quase sempre com violência no movimento estudantil.

Pouco antes do golpe, o CCC provocaria um tumulto na visita de João Pinheiro Neto, encarregado pelo presidente João Goulart do projeto de reforma agrária, à Faculdade de Direito. A partir de 1966, passaria a executar atentados a bomba.