27 de novembro

Começa a campanha unificada pelas diretas

Comício em SP encoraja oposição e faz deslanchar movimento por eleições diretas

Cerca de 15 mil pessoas participam de comício na praça Charles Miller, em frente ao estádio do Pacaembu, em São Paulo, exigindo eleições diretas para presidente da República. Convocado pelo PT e pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), o primeiro grande ato público pela Diretas-Já reuniu, numa tarde de domingo, representantes do PMDB, do PDT e de 70 entidades. “Este é o primeiro de muitos atos semelhantes pelo país até a conquista definitiva das eleições diretas”, disse o presidente do PT, Luiz Inácio Lula da Silva.

O caminho para as Diretas era a aprovação da proposta de emenda constitucional apresentada em março pelo deputado Dante de Oliveira (PMDB-MT). Um dos maiores defensores da emenda foi o senador Teotônio Vilela (PMDB-AL), que  percorreu o país buscando apoio de entidades democráticas e dos partidos políticos. O senador morreu naquele domingo, em decorrência de câncer, e foi homenageado pelo público. “Não poderia haver maior homenagem a Teotônio do que esta manifestação pelas eleições diretas”, disse o senador Fernando Henrique Cardoso (PMDB-SP).

Na véspera, os dez governadores da oposição assinaram manifesto em favor das eleições diretas, mas poucos dirigentes do partido participaram do ato. O sucesso do comício do Pacaembu, entretanto, encorajou o PMDB a encampar o movimento. O governador de São Paulo, Franco Montoro, decidiu convocar um comício-monstro para janeiro de 1984. Até o general presidente João Baptista Figueiredo diria, numa viagem à África, que seria favorável “em tese” às Diretas. No final de dezembro, voltou atrás: “As Diretas agora seriam um fato perturbador”.