18 de julho

Espanha dividida: começa a guerra civil

Com apoio nazista, o general Franco comanda rebelião do Exército contra o governo

Militares espanhóis entram em guerra contra a coalizão de esquerda que governa o país. As tropas comandadas pelo general Francisco Franco controlam o Marrocos espanhol, onde se concentravam as forças de elite, enquanto várias guarnições militares se sublevam em território espanhol, em apoio ao golpe. Pelo rádio, os cidadãos são informados pelo governo: “Parte do exército que representa a Espanha no Marrocos levantou-se em armas contra a República, voltando-se contra a própria pátria e entregando-se ao ato vergonhoso e criminoso de rebelião contra o poder legitimamente constituído”.

A Espanha, que enfrentava uma crise política havia décadas, estava dividida desde a vitória da Frente Popular nas eleições de fevereiro. A Frente Nacionalista, que reunia os falangistas (de tendência fascista) e tinha o apoio dos setores conservadores, da igreja católica, dos monarquistas e dos grandes proprietários rurais, queria implantar uma ditadura fascista. Já a Frente Popular, republicana, era apoiada pelos sindicatos, socialistas, comunistas, anarquistas e democratas em geral.

Os nacionalistas logo controlariam toda a Galícia, Sevilha, o estreito de Gibraltar e partes de Castela e Aragão. Já as regiões mais ricas e industrializadas, onde existia uma classe operária organizada, como Madri, Valência e Barcelona, permaneciam em mãos republicanas, pois o povo saiu às ruas em armas para tentar deter o golpe.

O divisão da Espanha repercutiu no resto do mundo. A Alemanha nazista e a Itália fascista apoiaram o golpe prestando ajuda militar e financeira. O ditador português Antônio de Oliveira Salazar também ficou do lado dos falangistas. Já a União Soviética deu seu apoio à Frente Popular, enquanto França e Inglaterra se declararam neutras. 

Independente de seus governos, os partidos e personalidades progressistas de todo o mundo, percebendo o que estava em jogo na Espanha — a luta pela liberdade, pela justiça social e pelo socialismo —, mobilizaram-se. Foram organizadas as Brigadas Internacionais, com cerca de 40 mil voluntários de 50 países dispostos a lutar contra o fascismo naquele país. Entre eles, estavam alguns brasileiros: Alberto Bomilcar Besouchet, Apolônio de Carvalho, Carlos da Costa Leite, David Capistrano da Costa, Delcy Silveira, Dinarco Reis, Eneas Jorge de Andrade, Eny Silveira, Hermenegildo de Assis Brasil, Homero de Castro Jobim, Joaquim Silveira dos Santos, José Gay da Cunha, José Homem Correa de Sá, Nélson de Sousa Alves, Nemo Canabarro Lucas e Roberto Morena. E também emigrantes que viviam no Brasil: Ramón Prieto Bernié, Libero Battistelli, Francesco Leone, Ernest Yosk e Wolf Reutberg.

O auge do apoio nazista ao golpe falangista se daria em abril de 1937, quando aviões alemães despejaram 22 toneladas de explosivos sobre a pequena cidade de Guernica, no norte do país, matando 1645 pessoas em poucas horas. Para os alemães, o ataque serviu para testar sua artilharia aérea; para o general Franco, serviu para debelar um foco de resistência republicana.