23 de novembro

RN, PE e RJ têm levantes revolucionários

Getúlio decreta estado de sítio, derrota sublevação e aumenta repressão

Natal está em poder dos comunistas e tem um novo governo — o Comitê Popular Revolucionário, presidido pelo sapateiro José Praxedes. Participam do Comitê um sargento músico, um funcionário da polícia civil, outro dos Correios e um integrante do Liceu Ateneu.

A insurreição começou no 21º Batalhão de Caçadores de Natal e, sem encontrar resistência, rapidamente tomou toda a cidade. As elites civis e militares fugiram, e o povo ocupou as ruas dando vivas a Luís Carlos Prestes e à Aliança Nacional Libertadora (ANL). Foi criado um jornal, “A Liberdade”, que publicou em seu primeiro (e único) número o programa revolucionário: autonomia nacional pela industrialização, reforma agrária, direito ao trabalho e educação pública gratuita.

O Partido Comunista do Brasil avaliava que o país estava maduro para uma revolução, mas sua direção ainda não havia ordenado o início do levante. Os acontecimentos em Natal precipitaram as ações.

Ao saber da insurreição naquela cidade, o comando revolucionário de Pernambuco decidiu fazer o mesmo. A rebelião começou na Vila Militar de Jaboatão dos Guararapes, e de lá a luta tomou alguns bairros da capital Recife, cidade vizinha.

Tropas da Paraíba foram enviadas a Natal e Recife, que também recebeu reforços de Alagoas e do sertão. As duas capitais ficaram sob ameaça de bombardeio aéreo. A população entrou em desespero. Depois de três dias de combates, a rebelião de Pernambuco fracassou. Quando a notícia chegou ao Rio Grande do Norte, às lideranças locais só restou a opção de fugir.

Informado sobre os acontecimentos no Nordeste, Getúlio Vargas pediu — e obteve — autorização à Câmara dos Deputados para decretar o estado de sítio em todo o território nacional por 30 dias.

Na capital da República, o 3º Regimento de Infantaria e a Escola de Aviação Militar se amotinaram no dia 27 de novembro, quatro dias depois do levante de Natal, mas foram duramente reprimidos em poucas horas.

A partir daí uma vasta onda repressiva contra as pessoas consideradas de esquerda se desencadeou por todo o país. Em poucos dias, sete mil pessoas foram detidas. Entre eles, o prefeito do Distrito Federal, Pedro Ernesto Batista.

A ANL seria completamente desarticulada.