14 de fevereiro

Comitê brasileiro amplia luta por anistia

Campanha por anistia ampla, geral e irrestrita mobiliza apoio na sociedade civil

É lançado no Rio o manifesto do Comitê Brasileiro Pela Anistia (CBA), que logo ganharia seções em outros Estados. Formada a partir de uma articulação de advogados de presos políticos, a nova entidade amplia a luta iniciada em 1975 pelo Movimento Feminino pela Anistia (MFPA), organizado por mães, esposas e filhas de presos políticos. Representações do CBA seriam criadas também no exterior.

O CBA agregou entidades da sociedade civil, como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e a Associação Brasileira de Imprensa (ABI), e tinha como palavra de ordem “anistia ampla, geral e irrestrita”.  Isso significava a devolução dos direitos políticos aos cassados, a extinção dos processos pela Lei de Segurança Nacional, a libertação de todos os presos políticos e o retorno dos brasileiros banidos do país e exilados.

A luta pela anistia tornou-se uma das principais bandeiras democráticas ao longo de 1978. Foi popularizada pelo apoio de intelectuais e artistas, como o cartunista Henrique Souza Filho, o Henfil, irmão do ex-dirigente da Ação Popular (AP) Herbert de Souza, exilado no Canadá. Henfil publicava semanalmente na revista "IstoÉ" cartas para sua mãe, Maria de Souza, nas quais expunha o drama das famílias de presos e exilados.