21–23 de Agosto

Conclat: sindicatos se reúnem livremente

Primeira Conferência Nacional das Classes Trabalhadoras aprova a criação da CUT

Num desafio à ditadura e à legislação sindical autoritária, delegados de 1.091 sindicatos urbanos e do campo realizam em Praia Grande (SP) a 1ª Conferência Nacional das Classes Trabalhadoras (Conclat). A principal decisão do encontro foi eleger a Comissão Nacional Pró-Central Única dos Trabalhadores (Pró-CUT), organização sindical nacional e independente. A Conclat foi a primeira reunião ampla de categorias diversas desde o golpe de 1964, que desarticulou a organização dos trabalhadores. A Conferência se realizou num momento de ascensão do movimento sindical e de avanço da luta pela redemocratização do país.

Mais de 5 mil delegados, na maioria eleitos diretamente pelas bases, participaram do encontro. Estavam representadas todas as correntes do sindicalismo em suas diversas tendências políticas: os sindicalistas combativos, identificados com o PT; as oposições sindicais, com muita influência das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs); o bloco da Unidade Sindical, aliando dirigentes moderados, o PCB, o PCdoB e o Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8); os sindicalistas ligados às novas organizações de esquerda; além de associações e entidades pré-sindicais. 

Apesar da crise econômica, que provocou forte recessão na indústria e nos outros setores, com aumento acelerado do desemprego, o número de greves havia crescido em 1981. Aumentava também o nível de organização dos trabalhadores por local de trabalho, por meio das comissões de fábrica. Ao mesmo, intensificava-se o processo de reorganização dos sindicatos de trabalhadores rurais, que representavam mais de 30% das entidades presentes na Conclat (348 sindicatos). 

A luta pela redemocratização do país, por melhores salários e contra a repressão aos trabalhadores eram os pontos de unidade na Conclat. Havia, no entanto, uma profunda divisão a respeito da criação da CUT, defendida pelo PT e pelas oposições sindicais. O bloco da Unidade Sindical defendia a manutenção da estrutura oficial, com entidades nacionais por categoria, sustentadas pelo imposto sindical. Os três dias de reunião da Conclat foram marcados por essa disputa e pela difícil negociação de uma chapa única para a Comissão Pró-CUT. A comissão eleita ao final do encontro tinha 56 membros, sendo 24 representantes de entidades rurais. Esse colegiado recebeu o prazo de um ano para organizar a nova entidade, mas a fundação da Central só iria ocorrer em 1983.