11 de agosto

Estudantes decidem criar a UNE

Encontro no Rio agenda Congresso para fundar entidade representativa

Universitários de todo o país, reunidos no 1º Conselho Nacional de Estudantes, realizado na Casa do Estudante do Brasil, no Rio de Janeiro, decidem trabalhar em conjunto para fundar um órgão máximo de representação estudantil: a União Nacional dos Estudantes (UNE).

Desde a realização do I Congresso da Juventude Operária-Estudantil, em setembro de 1934, os estudantes alentavam a ideia da criação de um órgão nacional para representar seus interesses e colaborar na luta pela modificação da realidade brasileira. A radicalização política e a repressão que se seguiu à promulgação da Lei de Segurança Nacional, no ano seguinte, levaram ao adiamento da iniciativa. Finalmente, com o término da vigência do estado de guerra e a libertação de presos políticos determinada pelo ministro Macedo Soares, o Conselho Nacional dos Estudantes resolveu retomá-la. Ficou definido que a criação da UNE seria formalizada no 2º Congresso Nacional dos Estudantes, marcado para dezembro de 1938.

A entidade seria formada a partir da união de todas as organizações estudantis brasileiras a ela filiadas. Para não atiçar a repressão e respeitar as diferenças ideológicas dos estudantes, divididos entre democratas, antifascistas, comunistas e integralistas, optou-se por definir, como objetivo da entidade, “congregar todos os estudantes do Brasil para a defesa dos seus interesses”. Assim, num primeiro momento, foram deixadas de lado questões políticas nacionais.

O 2º Congresso Nacional de Estudantes seria instalado em 5 de dezembro de 1938, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, com a presença de representante do Ministério da Educação e Saúde. Getúlio Vargas foi escolhido seu presidente de honra, e os interventores estaduais, membros da Comissão de Honra. Na solenidade de encerramento, no dia 22, em cerimônia presidida pelo ministro Gustavo Capanema, da Educação e Saúde, o gaúcho Valdir Ramos Borges foi eleito o primeiro presidente da entidade.

O acadêmico Wagner Cavalcanti, um dos oradores, falou em nome dos estudantes: “O Congresso Nacional dos Estudantes não é um congresso político. É um congresso para nossa classe e em prol da nossa cultura. Mas, em verdade, a existência desta será ilusória se os valores democráticos do mundo perecerem. Cultura, para nós, quer dizer vida, vida quer dizer liberdade, liberdade quer dizer democracia. E, já que nós a estamos definindo como fator de coesão nacional, devemos proclamar: democracia, no nosso entender, significa solidariedade humana, justiça social, ausência de ódios religiosos e preconceitos racistas, a harmonia entre todas as classes, a ordem contraposta à desordem, o respeito aceitável em substituição à hierarquia despótica, enfim: tudo aquilo de que dependem a honra, a dignidade e a intangibilidade patrimonial dos povos. Democracia, para nós, deixou de ser política: neste século, ela é, antes de tudo, a própria vida”.