1º de março

Rádios já podem fazer propaganda

Nova lei regulamenta exploração e concessão; estrangeiros são vetados

Começa uma nova era na comunicação nacional — a Era do Rádio. Getúlio Vargas assina decreto que concede o direito de exploração de emissoras de rádio a particulares e autoriza a comercialização de publicidade em sua programação.

Empresas norte-americanas, como a Colgate Palmolive e a Lever Brothers, acostumadas a patrocinar programas de rádio nos Estados Unidos — como radionovelas, shows musicais, quadros humorísticos e noticiários — mostravam-se interessadas em fazer o mesmo no Brasil. Com a receita da publicidade, as emissoras teriam recursos para investir em equipamentos, conteúdo e programação, contratando artistas, técnicos, tradutores para radionovelas e locutores.

A liberação da publicidade nas emissoras, aliada ao crescente aumento nas vendas de aparelhos receptores e ao grande alcance de novas tecnologias de transmissão, levou o rádio a um lugar de destaque nas comunicações nacionais das décadas seguintes.

Pela nova lei, a orientação educacional das estações tornou-se responsabilidade do Ministério da Educação e Saúde, e a fiscalização técnica, do Ministério da Viação e Obras Públicas. Apenas as sociedades civis nacionais poderiam explorar as frequências de rádio, não se abrindo exceções para estrangeiros — nem empresas nem indivíduos.

Lamartine Babo tratou da novidade na marchinha “Gê Gê”, gravada por Almirante com o Bando de Tangarás:

“Só mesmo com revolução
Graças ao rádio e ao parabélum,
Nós vamos ter transformação
Neste Brasil verde-amarelo
Gê, é, gé – Gé!
Tê, u, tu – tu!
Ele, i – ó!
Getúlio!”