17 de maio

Candidato do PSD é 'cristianizado'

Lançado por Dutra à sucessão, Cristiano Machado sofre abandono do partido

É lançada, pelo Partido Social Democrático (PSD), a candidatura do mineiro Cristiano Machado à Presidência da República. Indicado pelo presidente Dutra para ocupar a sua vaga no palácio do Catete, Machado sofre, no entanto, oposição da ala getulista do partido e enfrenta grandes dificuldades para formar alianças.

Em São Paulo, o governador Ademar de Barros preferiu levar o seu Partido Social Progressista (PSP) a cerrar fileiras com Getúlio. Com a máquina eleitoral do PSP paulista trabalhando para o ex-presidente, a candidatura de Cristiano logo se mostraria inviável.

Com forte apoio em seu estado natal, Machado ainda conseguiria se aliar ao Partido Republicano (PR) e ao Partido Trabalhista Nacional (PTN). Mas seria pouco para evitar as traições internas.

O candidato de Dutra seria abandonado pelos líderes pessedistas já no meio do caminho. Muitos caciques do partido apoiariam sua candidatura apenas formalmente, mas na prática transfeririam para Vargas os votos nos seus respectivos estados — manobra que ficaria conhecida na literatura política como “cristianização”, isto é, o esvaziamento de um candidato do partido em favor de um concorrente.

Fechadas as urnas, o candidato do presidente Dutra teria parcos 21,5%, chegando em terceiro lugar, atrás de Vargas (PTB) e de Eduardo Gomes (UDN).