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A nova cara do eleitorado

O crescimento do eleitorado não decorreu apenas do aumento populacional, mas também da incorporação de novos segmentos da sociedade à vida política, notadamente as mulheres e a classe trabalhadora.

Com a entrada em cena de novos eleitores, oriundos de diferentes estratos sociais, tornou-se impossível manter o antigo jogo político, restrito ao círculo das oligarquias.

Quem quisesse governar teria de conquistar novas fatias do eleitorado, a começar pelas mulheres, cujo direito de voto fora reconhecido com a aprovação do Código Eleitoral de 1932 — mas só puderam exercê-lo numa eleição presidencial após o fim do Estado Novo, 13 anos depois.

Além das mulheres, também a classe média ganhou relevância política e passou a influir diretamente nos ânimos e rumos da vida nacional. O fenômeno já havia começado com o tenentismo, na Primeira República, e se intensificado, na Revolução de 1930, com o surgimento da Aliança Nacional Libertadora (à esquerda) e da Ação Integralista Brasileira (à direita). Após a queda de Getúlio Vargas, no entanto, a classe média conquistou ainda mais protagonismo, com a fundação da União Democrática Nacional (UDN).

Os novos atores incorporados à cena política, porém, não se limitaram às camadas intermediárias da sociedade. O processo foi muito além. Lutando por melhores salários, fazendo greves, escolhendo candidatos, filiando-se a partidos e participando do debate político, os trabalhadores ocuparam seu lugar na cena política nacional.

No Estado Novo eles já tinham embarcado no bonde de São Januário para ir ao trabalho (como dizia o samba de Wilson Batista e Ataulfo Alves), conquistaram direitos trabalhistas e um primeiro status de cidadania. Dessa vez, nos embates políticos, eles se deram conta de que, para ir mais longe e exercê-la com plenitude, precisavam influir na eleição de representantes e governantes sintonizados com seus problemas e aspirações.