Março

Democracia entra em campo no Timão

Democracia Corintiana sintoniza o futebol com a voz das ruas

A eleição de Waldemar Pires para presidir o Corinthians, um dos clubes mais populares do Brasil, abre espaço para uma ousada experiência de gestão no futebol, inspirada na luta pela redemocratização do país. Sob a liderança do artilheiro Sócrates, ídolo da torcida, e do psicólogo Adílson Monteiro Alves, diretor de futebol, todas as decisões do clube passam a ser tomadas pelo voto de jogadores, funcionários e comissão técnica.

A Democracia Corintiana, assim batizada pelo publicitário corintiano Washington Olivetto, deu resultados em campo, levando o time ao bicampeonato paulista em 1982 e 1983, e contribuiu para popularizar o movimento pelo fim da ditadura. Além de Sócrates, os jogadores Wladimir, Casagrande, Biro-Biro e Zenon, entre outros, tornaram-se porta-vozes da redemocratização. A palavra Democracia era estampada no uniforme do time. Em 1984, durante a campanha pelas eleições diretas para presidente da República, o time entrou em campo com o slogan Diretas-Já na camisa. A Democracia Corintiana teve apoio de torcedores famosos, como a roqueira Rita Lee e o jornalista Juca Kfouri, entre muitos. 

A partir de 1984, o movimento começaria a definhar e a derrota da Emenda Dante de Oliveira também contribuiria para isso. Sócrates, que havia dito que só deixaria o clube se as Diretas não fossem aprovadas, aceitou então ir para a Itália, vendido ao Fiorentina. A direção do Corinthians emprestou Casagrande ao São Paulo FC. Em campo, a ausência dos craques se refletiria em resultados negativos. Monteiro Alves não conseguiu suceder Waldemar Pires e garantir a sobrevivência da gestão democrática. O time também sofreria na disputa com equipes “profissionais e eficientes” do Rio de Janeiro, como o Flamengo, que o deixaria em segundo plano no futebol nacional. Em 1985, acabaria o sonho da Democracia Corintiana.