25 de fevereiro

Descaso e fogo em Cubatão matam 500

Vazamento de gasolina da Petrobras causa incêndio na favela de Vila Socó

Incêndio destrói a favela de Vila Socó em Cubatão, na Baixada Santista (SP), causando a morte de pelo menos 500 pessoas. O fogo foi provocado pelo vazamento de cerca de 700 mil litros de gasolina de uma tubulação da Refinaria Presidente Bernardes, da Petrobras, que passava numa região alagada junto ao aglomerado de palafitas. Não houve alarme ou providência da empresa para evacuar a favela. Foi o incêndio com maior número de vítimas no país, com grande repercussão internacional.

A Petrobras admitiu que o vazamento fora provocado por falha na alimentação dos tubos, que eram velhos e estavam sem manutenção. As autoridades tentaram reduzir o tamanho da tragédia, reconhecendo incialmente 93 mortes. Levantamentos independentes incluíram as crianças que deixaram de frequentar escolas e famílias inteiras que desapareceram sem deixar notícia, o que elevou o número total de vítimas a 508. 

Oito funcionários da empresa foram condenados em primeira instância e absolvidos depois de recursos. Em junho de 2014, a Comissão da Verdade da Assembleia Legislativa de São Paulo reabriu o caso para apurar responsabilidades de dirigentes da Petrobras e da Prefeitura Municipal de Cubatão.

As péssimas condições ambientais da cidade, com níveis extremos de poluição do ar, da água e do solo, transformaram-na em símbolo mundial de degradação do meio ambiente. Em setembro de 1984, seria decretado estado de emergência ambiental no município, o primeiro caso no Brasil.