30 de abril

Direita explosiva faz ataques em série

Bombas contra bancas de jornal e entidades civis semeiam o terror

Bancas de jornais são incendiadas em ações simultâneas em várias cidades do país. Os atentados ocorrem na madrugada, visando os quiosques que vendiam jornais independentes e de oposição ao governo. Ao longo do ano seriam alvos de bombas livrarias, redações de jornais de esquerda, escolas e entidades engajadas na luta pela redemocratização, como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Era a “direita explosiva” em ação.

Os atentados de 1980 isolaram ainda mais a ditadura, mas aplicaram um duro golpe na imprensa independente e de oposição. Aterrorizados pelos ataques, que se intensificariam até setembro, os donos de bancas deixaram de vender os alternativos "Em Tempo", "Movimento", "Tribuna da Luta Operária", "Companheiro", "O Pasquim", "Hora do Povo" e outros.

O terror de direita, que já havia atuado em períodos anteriores à ditadura, voltou a agir a partir de janeiro de 1980, coincidindo com o retorno dos anistiados à atividade política. Como aconteceu em 1968, com os ataques do Comando de Caça aos Comunistas (CCC), e em 1976, com a Aliança Anticomunista Brasileira (AAB), os atentados deste período ficariam impunes. Abaixo, uma lista dos ataques da "direita explosiva" em 1980 e 1981.

1980

·  18/01 – desativada bomba no Hotel Everest, no Rio, onde estava hospedado Leonel Brizola.
·  27/01 – bomba explode na quadra da Escola de Samba Acadêmicos do Salgueiro, no Rio, durante comício do PMDB.
·  26/04 – bomba explode em uma loja do Rio que vendia ingressos para o show de 1º de Maio. 
·  30/04 – em Brasília, Rio, Porto Alegre, Curitiba, Belo Horizonte, Belém e São Paulo, bancas de jornal começam a ser atacadas, numa ação que durou até setembro.
·  23/05 – bomba destrói a redação do jornal "Em Tempo", em Belo Horizonte.
·  29/05 – bomba explode na sede da Convergência Socialista, no Rio de Janeiro.
·  30/05 – explodem duas bombas na sede do jornal "Hora do Povo", no Rio de Janeiro.
·  27/06 – bomba explode na sede do Sindicato dos Jornalistas, em Belo Horizonte.
·  11/08 – bomba é encontrada em Santa Teresa, no Rio de Janeiro, num local conhecido por Chororó. Em São Paulo, é localizada uma bomba no Tuca, horas antes da realização de um ato público.
·  12/08 – bomba fere a estudante Rosane Mendes e mais dez estudantes na cantina do Colégio Social da Bahia, em Salvador.
·  27/08 – explodem três cartas-bombas no Rio: na OAB, matando a secretária da presidência, Lyda Monteiro; no gabinete de um vereador do PMDB e na redação do jornal "Tribuna da Luta Operária".
·  04/09 – desarmada bomba no largo da Lapa, no Rio.
·  08/09 – explode bomba-relógio na garagem do prédio do Banco do Estado do Rio Grande do Sul, em Viamão.
·  12/09 – duas bombas explodem em São Paulo: uma fere duas pessoas em um bar no bairro de Pinheiros e a outra danifica automóveis no pátio da 2ª Cia. de Policiamento de Trânsito no Tucuruvi.
·  14/09 – bomba explode no prédio da Receita Federal em Niterói (RJ).
·  14/11 – três bombas explodem em dois supermercados do Rio.
·  18/11 – bomba explode e danifica a Livraria Jinkings, do ex-deputado e dirigente comunista Raimundo Jinkings, em Belém.
·   08/12 – bomba incendiária destrói o carro do filho do ex-deputado Raimundo Jinkings, em Belém.

1981

·  05/01 – outro atentado a bomba em supermercado do Rio.
·  07/01 – bomba explode em ônibus a serviço da Petrobras na Cidade Universitária, no Rio.
·  16/01 – bomba danifica relógio público instalado no Humaitá, no Rio.
·  02/02 – bomba colocada no aeroporto de Brasília é encontrada antes de explodir.
·  26/03 – atentado às oficinas do jornal "Tribuna da Imprensa", no Rio.
·  31/03 – bomba explode no posto do antigo Instituto Nacional de Previdência Social (INPS), em Niterói (RJ).
·  02/04 – atentado a bomba na residência do deputado Marcelo Cerqueira, no Rio.
·  03/04 – explosão de uma bomba destrói parcialmente a Gráfica Americana, no Rio.
·  28/04 – grupo Falange Pátria Nova destrói, com bombas, bancas de jornais de Belém.
·  30/04 – explosão mata um agente do DOI-Codi e fere outro, no momento em que preparavam atentado contra 20 mil pessoal no show de 1° de Maio no Riocentro.